Ana Isabel Santos

Diretora de Recursos Humanos na Europcar Portugal

Construir as organizações do futuro exige agilidade, flexibilidade e focus na abordagem personalizada das pessoas.

A função de Gestão de Recursos Humanos (leia-se Gestão de Pessoas), que durante anos, no mercado português, foi enquadrada como função com competências maioritariamente processuais e administrativas, está em “crisalida” num longo processo de mudança de identidade, que justificará uma nova perspetiva no conteúdo e responsabilidades da gestão de pessoas.

A evolução digital é uma realidade e vai exigir que muitas funções tradicionais sejam reinventadas pela automação de tarefas e processos. No entanto mais do que nunca aspetos humanos essenciais como a empatia e a comunicação, são os ADN das organizações que mais capacidade vão ter de atrair e reter os melhores profissionais.

“A Gestão de pessoas 4.0” – a quarta revolução industrial

O gestor de Pessoas tem novos desafios e vai ter de lidar com novas mentalidades, muito mais ligadas ao mundo digital. Além disso, terá de gerir conflitos entre gerações, entender novos valores e motivar e integrar equipes remotas, criando assim uma cultura colaborativa, sustentável e de resultado.

Cada vez mais Gestão de Pessoas, vai ter de se posicionar efetivamente como “gestor de experiências e consultor de negócio ” é parte do negócio antecipando tendências, e ao mesmo tempo assume a liderança no “marketing de experiência ,  i.e. promove  experiências memoráveis das pessoas,  que geram respostas de compromisso emocional, substituindo o conceito mais tradicional do compromisso contratual como único que une pessoas a empresas.

O conceito de “accountibility” (assumir a responsabilidade) é o tema do futuro, a vitimização e o apontar do dedo ou culpar os outros, deixou de ser uma opção.

Nenhuma empresa pode ser “accountable” a menos que cada pessoa que dela faz parte o seja, e a função Gestão de Pessoas tem a dianteira nesta mudança de paradigma, impulsionando a mudança e liderando pelo exemplo.

Aplicando o princípio SOSD permite estar “acima da linha” convertendo os esforços em resultados:

“See it”, “Own it”, “Solve it” and “Do It” é uma fórmula simples mas faz a diferença:

  • “See it” exige obter a perspetiva do outro ou dos outros, comunicar abertamente e de forma honesta, pedir e obter feedback, ouvir para ver a realidade dos factos.
  • “Own it” – Apropriar-se dos temas que tem de resolver , aprender sempre com os sucessos mas também com os fracassos, alinhar as suas prioridades com as prioridades da empresa e acuar sobre o feedback recebido.
  • “Solve it” – Perguntar-se a si mesmo “que mais posso fazer para resolver a questão”, ultrapassar a barreiras funcionais e silos que não ajudam a progredir a empresa, lidar de forma criativa com os obstáculos e ainda assumir riscos necessários com noção dos impactos que podem criar.
  • “Do it” – As promessas são para se cumprir,” faço o que digo” materializar a boa ideia, focar-se nas 3 prioridades de topo e nunca culpar os outros, é uma perda de tempo.

A missão é promover um ambiente baseado na confiança entre pessoas e equipas, porque em tempos difíceis confiar é a base de trabalho e manter a resiliência vai fazer toda a diferença!

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