Muito se tem ouvido falar nestes últimos tempos sobre coaching, nem nunca uma profissão atraiu a atenção de tantas pessoas.

Perante uma inesperada agressão mundial, com impactos que não controlamos, provocou certamente mudanças muito profundas nas pessoas e consequentemente nas suas vidas.

Por isto, é fulcral que façamos uma introspeção no nosso “SER” e de tudo aquilo que nos rodeia. Estamos perante uma nova era da dimensão humana, são tempos de mudança e adaptação a novas realidades onde é muito importante ressignificar o nosso contexto familiar, profissional, social, cultural, espiritual e até emocional.

Deste modo, o coaching tem sem dúvida, assumido uma maior procura e destaque na vida das pessoas que procuram uma mudança sustentada na qualidade de trabalho e vida pessoal.

Como transportamos este conceito desde a sua origem até aos dias de hoje – para um processo de desenvolvimento humano?

Com origem no século XVI, na Hungria, mais precisamente na cidade de Kocs, localizada às margens do Rio Danúbio e da estrada que liga Viena a Budapeste, os habitantes de Kocs iniciaram a produção de carruagens com suspensão feita de molas de aço, que era muito desejado por todos, devido ao conforto que ofereciam a seus passageiros.

As carruagens chamavam-se de kocsi szeker, e com o tempo passaram a ser chamadas pelo diminutivo “kocsi”.

Este termo, ao ser pronunciado, era entendido pelos ingleses como coach, vindo daí a origem do primeiro significado da palavra. Com isso, é importante salientar que a palavra coach é uma palavra inglesa, mas de origem húngara.

Já no século XIX, o termo coach passou a ganhar relevo, quando os alunos da Universidade de Oxford, usavam na gíria o termo coach referindo-se aos seus tutores bem como aos técnicos responsáveis pelas equipas desportivas.

Numa simples e prática analogia, e sendo a função da carruagem levar uma pessoa de um lugar para outro, a função do coach é de conduzir uma pessoa, que se encontra num determinado estado para um estado desejado, através de um processo que irá estimular e inspirar a mesma, maximizando o seu potencial.

Muitas vezes o coaching é confundido com outras práticas tais como a psicologia, psicoterapia, formação, entre outras, mas principalmente com mentoria.

A mentoria é igualmente uma ferramenta de desenvolvimento profissional, contudo aqui o mentor tem como objetivo oferecer suporte a alguém menos experiente, com base na sua experiência pessoal e profissional, adquirida ao longo da sua carreira.

Portanto como é que o coaching se destingue?

O coaching é mais focado em tarefas e objetivos e não exige que o coach tenha uma maior experiência ou vivência do que a pessoa que requisita o seu serviço. É também por este motivo que ainda existe muita resistência a esta prática, principalmente por profissionais mais seniores.

O papel principal do coach não é ensinar, mas sim de observar, ouvir, orientar e fornecer uma visão clara e imparcial dos factos e sempre numa ótica mais positiva …ou seja, como eu costumo dizer “ver o copo meio cheio!”

O coaching na sua essência…

Está efetivamente na moda, mas acredito que muitos ainda não compreenderam o que realmente significa e como pode ajudar as pessoas e as empresas a atingirem melhores resultados!

Defino o coaching como um processo de transformação interna, processo este que visa superar limitações da mente, ou seja, superar inseguranças, medos, falta de foco, crenças limitadoras, obstáculos auto-impostos que impedem a pessoa ou equipa de aceder ao seu real potencial. 

Contudo, para que este processo seja promissor é fundamental que o coachee seja coachable, ou seja, que este esteja disposto a assumir um compromisso com o profissional coach certificado. Para isso é fundamental assegurar-se de que:

  • A sua intenção e desejo de mudança e melhoria é levado a sério;
  • Está disposto a trabalhar e receber feedback;
  • Está determinado a adotar novas formas de agir, pensar e trabalhar;
  • Está disponível para explorar, desafiar e mudar pensamentos, sensações e ações que o prejudicam;
  • Com o apoio do coach, desenvolverá as ações propostas e será responsável pelos resultados do seu desempenho

Esta viagem de transformação e mudança é indicado para todas aquelas pessoas que desejam alcançar objetivos específicos, desenvolver habilidades, novos comportamentos, aprimorar competências, melhorar o desempenho, inteligência emocional, comunicação, resiliência, enfim obter resultados surpreendentes.

O impacto do coaching nas organizações

O coaching é um dos temas mais discutidos atualmente nas organizações e tem assumido uma maior importância no desenvolvimento das equipas e lideranças. Quando praticado de forma eficaz, trabalha o potencial dos colaboradores, valorizando as suas opiniões, explorando habilidades e procurando soluções, sem nunca esquecer o propósito e objetivos de cada um.

Num ambiente competitivo, as empresas precisam a cada dia desenvolver meios, capacitar e desenvolver os seus colaboradores, e ao mesmo tempo superar os constantes desafios e adaptar-se às exigências do mercado. Na maior parte dos casos os profissionais não conseguem identificar quais as suas necessidades e o que precisam fazer para mudar, razão principal da sua desmotivação.

É fundamental explorar raciocínios e encorajar os colaboradores a tomarem decisões bem como a assumir riscos capazes de fazer a empresa crescer. Promover o auto-desenvolvimento, capacidade de liderança, incentivar o trabalho em equipa, a partilha de conhecimentos e competências, otimizar a comunicação, isto sim faz com que as empresas tenham equipas de alta performance.

Assim como no desenvolvimento pessoal, o coaching profissional pode ser um grande aliado na construção e sedimentação da visão, missão e valores da empresa. Mais do que ajudar uma organização a atingir as suas metas, a prática leva a profissionais a atingirem a excelência e a melhorar o seu desempenho.

Nessa perspetiva, uma organização com colaboradores motivados, em constante aprendizagem e satisfeitos com o seu desempenho, são mais produtivos e felizes!

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”
Fernando Teixeira de Andrade

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