Impacto da liderança feminina na cultura organizacional em tempos de pandemia

liderança feminina

Podemos dizer que temos observado que o lugar da mulher no mercado de trabalho vem sendo conquistado paulatinamente, mas que apesar de presenciarmos uma grande evolução da liderança feminina na agenda corporativa, ainda falta muito para alcançar um cenário equilibrado entre homens e mulheres em cargos de gestão.

Felizmente, nos dias atuais, contamos com grandes exemplos de Mulheres que estão em cargos de topo, com poder de decisão nas empresas, que inspiram a transformação no mercado de trabalho, que comprovam que uma equipa com diversidade é a que sempre traz os melhores resultados.

Muito se fala em um novo normal e nada mais justo equacionar um novo normal com uma maior presença da liderança das mulheres nas organizações. É mais necessária do que nunca para emergir da crise pandémica a presença de mulheres que ocupam cargos de topo nas organizações, uma vez que as mesmas marcam uma presença forte no equilíbrio de géneros, pautam uma liderança baseada em humanizar as relações de trabalho e maior atenção em garantir a saúde segurança dos colaboradores, como foco no centro dos esforços de resposta, resiliência e recuperação da Covid-19, e assim, conseguir rapidamente construir um futuro melhor.

Liderança feminina na pandemia

Considerando a escassez de vozes das mulheres em todas as esferas de tomada de decisão, incluindo a crise, muito se tem escrito e falado sobre a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, e o sucesso de suas ações para impedir a propagação da Covid-19 pelo país. O reconhecimento das suas determinações foi global, mas, principalmente interno. A população da Nova Zelândia aprovou de forma maciça o isolamento máximo designado por ela.

 Além da Nova Zelândia, outros países liderados por mulheres têm-se destacado no combate à Covid-19, como líderes da Alemanha, Taiwan, Islândia, Noruega e Dinamarca que adotaram medidas distintas entre si, mas ao mesmo tempo similares: decisões mais empáticas, com maior atenção às famílias, aos cuidados, foram mais colaborativas e menos autoritárias do que governantes com “estilo” machista, como é o caso de Trump e o seu fiel seguidor Bolsonaro.

Uma diferença notória foi a preocupação das governantes em manter a saúde mental e a tranquilidade emocional das crianças. Além de Jacinda Ardern, as líderes da Noruega e Dinamarca fizeram pronunciamentos específicos para a população infantil. Juntamente a medidas que seguem no mesmo escopo desta, outras determinações, obviamente, foram tomadas como, por exemplo, o isolamento social rápido e rigoroso.

Contexto organizacional

Transpondo este exemplo para o cenário organizacional, podemos observar que no decorrer das lutas dos movimentos feministas, nós mulheres, temos combatido o lugar do “cuidado” historicamente designado ao sujeito feminino nas sociedades. Uma luta seminal para que conquistemos a cada ano mais posições na ciência, na aviação, engenharia, tecnologia, entre outros papéis antes destinados exclusivamente aos homens. Entretanto, ainda atualmente, embora haja uma ampliação da educação escolar da população feminina, tal movimento se limita a determinadas áreas do conhecimento como humanidades, saúde e educação.

Não podemos nos esquecer que nós, mulheres, somos resultado de séculos – pelo menos dois, desde o século XIX – de formação cultural voltada para o cuidado com a família, o afeto, as tarefas domésticas, o trabalho privado cunhado pela formação dos lares burgueses e patriarcais pós-revolução industrial.

Ainda no cenário mundial de pandemia, é válido destacar que as mulheres embora representem a minoria em cargos de topo em todo o mundo, o fator comum de tomada de decisão são baseadas na empatia, no cuidado e na colaboração, características culturalmente e socialmente femininas por imposição histórica.

Rise for All

A vice-secretária geral da ONU, Amina Mohammed, anunciou, segunda-feira 13 de Julho 2020, a criação de um grupo de mulheres líderes que irá lutar para salvar vidas e proteger meios de subsistência durante a pandemia. A iniciativa denominada Rise for All apela para que os líderes de todos os países demonstrem solidariedade e adotem ações urgentes para responder aos impactos socioeconómicos do novo coronavírus e afirmou que “como em nenhum outro momento da história recente, as mulheres estão agora na linha de frente e pagando o preço dessa crise humana”. Segundo a vice-chefe da ONU, “está na hora” de as mulheres assumirem a liderança, adotando medidas para combater a pandemia e manter o mundo no rumo certo para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS.

Podemos considerar que as organizações podem basear-se neste exemplo prático e investir em mulheres como parte integrante das suas equipas de combate à crise, tendo em conta que características femininas de liderança, como cuidado e empatia, para o combate à covid-19 no ambiente laboral de forma saudável, ditando uma cultura organizacional pautada pela união e pela solidariedade, por terem maior sensibilidade quanto aos desafios e exigências através de experiências de vida em papéis que são afetados socialmente pelo género. Pode-se partir do princípio que as suas perspetivas e decisões provavelmente serão afetadas por essas mesmas experiências.

Grande parte das organizações já veem percebendo que equilibrar a gestão entre líderes femininos e masculinos é o melhor caminho para conquistar o envolvimento e a alta performance das suas equipas. A discussão não deve basear-se no mero confronto de géneros – se as mulheres são melhores gestoras que os homens, e sim na avaliação sobre o perfil de liderança adequado para o mundo de hoje.

Será cada vez mais necessário que a liderança seja exercida de forma autêntica

e orientada às pessoas, com um olhar mais humanizado de atenção e cuidado. Mulheres tendem a implementar essas valências de forma mais natural, mas os homens também podem aprender”, diz a psicóloga. Trata-se antes de mais de uma estratégia para obter motivação e alto desempenho da equipa, pois colaboradores comprometem-se mais, com as empresas que zelam pelo bem-estar dos seus constituintes.

Há uma grande expetativa que a pandemia venha representar um marco nessa consciência. Esta crise veio para escancarar o quanto precisamos mudar o perfil das nossas lideranças, seja de países, seja de empresas. No contexto corporativo, é muito claro como falta habilidade para conectar as necessidades e sentimentos dos colaboradores com as necessidades do negócio de cada empresa ou setor. No fundo, as empresas devem garantir o equilíbrio das forças dentro das corporações a partir do desenvolvimento da empatia.

Infelizmente as empresas ainda operam num modelo bidimensional, baseado apenas no pensar e no fazer. A ideia é desenvolver um modelo tridimensional, que inclua ‘conectar’ como um pilar também fundamental”. “É justamente por meio da conexão que as líderes femininas têm alcançado o sucesso durante a pandemia.”

A nova liderança – criativa, emocional, técnica, humana e ética

Por fim, devemos acreditar que a união faz a força, sempre foi assim, e que as empresas ganham muito mais apostando numa cultura organizacional onde os líderes masculinos e femininos na definição de uma visão muito clara do que quer ser após a pandemia do Covid-19 e para onde dirigi com o novo normal (liderança criativa). Contar com os líderes para partilhar a nova visão com todos os colaboradores de forma clara e percetível para que seja interiorizada e assumida como um objetivo comum (liderança emocional). Com um trabalho de liderança baseada na diversidade, com pontos de vista diferentes consegue-se transformar a nova visão em realidade (liderança técnica) tendo em conta as suas pessoas (liderança humana) e os seus valores de base (lideranças ética)

Não existe desafio que não possa ser superado com união! Juntos vamos ultrapassar esta pandemia e estaremos mais fortalecidos rumo a uma nova transformação organizacional.

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