Lapidar a Carreira: Uma questão de Desenvolvimento Pessoal e Profissional

Gestão de expectativa - comunicarh

Lapidar significa polir, esculpir, atribuir uma qualidade superior, tornar perfeito o que está no seu estado tosco ou bruto.

Embora na maior parte das vezes é uma terminologia que se utiliza quando referimos a cristais ou pedras preciosas, eu defendo que também é aplicável quando se trata do desenvolvimento humano, no sentido de contruirmos a nossa identidade a medida que caminhamos em direção do auto-conhecimento.

Transferindo este conceito para o contexto profissional, todos nós que aspiramos traçar um percurso no mercado de trabalho, estamos cientes que partimos do ponto de recém formados sem experiência e muitas vezes até, sem bases ou conhecimentos sólidos desejáveis na área que estamos alocados ou que pretendemos atuar, e precisamos passar por um processo de transformação subjacente ao desenvolvimento de competências chaves que nos permitem impulsionar a nossa carreira.

E neste processo de transformação a receita infalível é que para iniciar este percurso, o medo da queda (de falhar) não pode ser maior que o medo de voar (progredir e crescer)! O lugar onde ganhamos experiência não tem de ser sempre ou necessariamente um escritório. Seja onde for, seja apenas quem és e foca-te em lapidar nada mais que a tua essencia!

Não te compares com mais ninguém no planeta, nem na tua empresa, nem na tua equipa, nem no teu bairro, nem na tua família, porque tu tens um potencial que te diferencia (faz parte do teu DNA) e o teu talento pessoal é o que te define enquanto pessoa capaz de executar determinada tarefa de forma singular e única. E nós enquanto pedras “brutas” que carecem ser lapidadas para crescermos e desenvolvermos, a própria vida encarrega-se de trazer para nós as situações, as experiencias e as profissões que nos proporciona este aprimoramento que carecemos para realizarmos a nossa obra.

Uma Carreira Profissional é uma trajetória que percorremos durante a nossa vida que inclui todas as funções, cargos e empresas pelos quais passamos e os conhecimentos que fomos adquirindo, as competências e habilidades que vamos desenvolvendo constituindo a nossa bagagem profissional.

Neste percurso somos várias vezes orientados para alinhar as nossas expetativas com a realidade de forma que o nosso crescimento seja contínuo, dinâmico e que agregue valor pessoal e à cultura empresarial.

O que muitas vezes acontece neste percurso, é depararmos com dores de crescimento que nos tira da zona de conforto. Dores essas muitas vezes difíceis de gerir e de processar, mas que para a nossa evolução como pessoas ou como profissionais são necessárias.

Tendo em conta este requisito, convido o leitor a refletir, se tem enfrentado o que precisa para crescer?

Se a resposta for negativa, convido novamente para refletir se não é melhor altura para mudar. A vida na maior parte das vezes é sobre mudanças: as vezes de endereço, as vezes de aparência e outras vezes de atitude mesmo.

Ao longo de uma carreira profissional, o que mais requer mudança é a nossa atitude. A Atitude de Fazer o nosso melhor!

Somos todos diferentes uns dos outros, mas, todos temos um fator em comum: queremos atingir a excelência, queremos destacar entre os melhores e queremos crescer! Mas o que nem todos sabem, ou estão dispostos a saber ou fazer, é que uma pessoa excelente ou um profissional excelente é aquele ou aquela que vai para além do óbvio e do expetável. É aquela que faz mais que a sua obrigação e que supera as expetativas (próprias e da equipa/empresa).

Atenção que a nossa obrigação não é trabalhar sem uma remuneração digna ou sem recursos e ou condições para o efeito. A nossa obrigação é o compromisso que assumimos em executar determinada tarefa, ou responder a determinada necessidade/demanda. E um profissional de excelência que trabalha com propósito, um profissional que tem a sua obrigação como ponto de partida e não como ponto de chegada.

É aquela pessoa que parte da obrigação e não chega na obrigação. É onde estamos no começo dessa trajetória e não o local ou a posição onde alcançamos no final.

Conhecemos muitas pessoas excelentes no nosso dia-dia e optamos mais por aqueles que fazem mais que a sua obrigação (médicos, porteiros, domésticas, atendedores de mesa em restaurantes, rececionistas, colegas de equipa, etc)

Um profissional de excelência não se limita a fazer o seu trabalho, ou o seu dever! Um colaborador que procura a excelência não faz somente o possível, faz o seu melhor! Uma pessoa que procura excelência faz o seu melhor na condição que tem, enquanto não tem condições melhores para fazer melhor ainda (conforme diz o querido filósofo Mário Cortella). Não é que seja o melhor do mundo… mas é o MEU/TEU melhor!

Agora pergunto caro leitor…. Atualmente, no cargo que ocupa hoje, nas responsabilidades que tem hoje, está a fazer o possível ou melhor?

Se eu ou tu, podemos fazer o nosso melhor, mas aceitamos o possível ou o razoável, na média, corremos o risco de cair no perigo da mediocridade que nos conduz para a nossa zona de conforto, a zona onde nada acontece.

Há pessoas que em nome da condição disponível (muitas vezes precária), degradam a ação ou a tarefa, outras pessoas, em vez de realizarem um trabalho insignificante ou secundário, lutam para melhorar as condições e vão fazendo o melhor com as condições que têm.

E essas pessoas que fazem o seu melhor seja em casa, seja no trabalho, seja nas relações interpessoais, amorosas ou sociais, não estão a espera de reconhecimento ou recompensa dos outros! Não o fazem para exibição ou ostentação. São pessoas que vivem com propósito, respeitam a sua verdadeira essência. Para a vida ter propósito é preciso acima de tudo sermos capazes de fazer o nosso melhor.

Pessoas capazes de fazerem o seu melhor, acabam por dar atenção a questões simples da vida, e que são necessárias para serem felizes. 

Lapidar a nossa carreira de forma positiva, construtiva e tendo como referência a melhoria contínua, garante sem margem de dúvida a nossa realização. Garante profissionais que apesar da adversidade, deparam com a felicidade durante o percurso e não apenas no final da jornada. Precisamos compreender que em qualquer contexto da nossa vida, a felicidade não é a meta e sim o método.

E que a vida quer pessoal quer profissional não é sobre encontrar a si mesmo, como tenho lido em várias fontes, para mim, a vida consiste em CRIAR a si mesmo, através da lapidação constante!

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3 respostas

  1. Que não haja dúvidas de que somos autênticas pedras preciosas.

    Desde que nascemos e até ao último dia de vida estaremos em constante processo de aperfeiçoamento. Digo processo, porque o objetivo é o de melhoria constante. Hoje melhor do que ontem e amanhã melhor do que hoje, mas nunca seremos perfeitos.

    Trabalhemos sempre para o melhor, no contexto pessoal, familiar, social, profissional.

    Sejamos sempre os primeiros a ir atrás do que pretendemos, porque somos os maiores interessados e ninguém melhor do que nós fa-lo-á com o afinco necessário.

    Não estejamos à espera que alguém desenhe o percurso para a nossa evolução profissional. Está nas nossas mãos o ir atrás e o estarmos preparados para as oportunidades.

    Todos os dias, se estivermos dispostos, aprenderemos algo novo e mais importante, teremos sempre algo para dar, ensinar, partilhar.

    Lidar com pessoas é das melhores experiências e treinos diários das nossas vidas.
    O contexto profissional é desafiador e uma grande escola de relações humanas. Importa aprender a lidar com as pessoas, lidar com nós mesmos, cultivando diariamente o melhor de nós em termos de inteligência emocional. Ninguém é perfeito, mas existe sempre margem para melhoria.

    Não importa a posição em que nos encontramos. O que interessa é o dar o nosso melhor em todas as circunstâncias e diariamente terminar o dia com sentido de orgulho pelo que fizemos.
    E no dia seguinte? Fazer melhor!

    Estamos num percurso e a preparar o nosso próximo passo.

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