O lado “Verde” das Empresas na Gestão das suas Pessoas: a Sustentabilidade como uma estratégia Ganha-Ganha!

Gestão verde e sustentabilidade

Acreditando que todos estamos cientes de que “vivemos uma emergência climática, realidade que requer uma transição energética rápida, e que faz com que não possamos ir para soluções que demoram muito tempo”, urge reinventar um modelo de negócio de décadas.

Uma “Gestão Verde” torna-se assim um importante contributo para reforçar a Sustentabilidade na sociedade e na Gestão de Pessoas nas empresas.

A “Gestão Verde” refere-se ao uso de práticas de Gestão de Recursos Humanos (RH) para reforçar as práticas ambientais sustentáveis e aumentar o compromisso dos colaboradores para com os objetivos de um crescimento sustentável. Trata-se de adotar iniciativas que gerem maior eficiência, melhor desempenho ambiental e redução da pegada ecológica da empresa, nomeadamente de Carbono.

As Boas Práticas Verdes compreendem o desenvolvimento de várias dimensões como o conhecimento verde, as competências verdes, as capacidades verdes, as atitudes verdes, o comportamento verde e a consciência verde e estão direta e positivamente relacionadas com um melhor desempenho ambiental das organizações.

Importa enfatizar a importância das atividades verdes dos colaboradores no local de trabalho que visam ajudar as organizações a melhorar o desempenho ambiental através do aumento do envolvimento e do compromisso positivo dos colaboradores na adoção e manutenção de práticas de preservação do ambiente, alinhadas com os três pilares do crescimento sustentável:

“ambiental, social e financeiro.

Está relacionada com a função RH como o principal promotor na organização para assumir as iniciativas verdes e estimular o comportamento ambientalmente sustentável dos colaboradores.

De igual forma que os processos de trabalho na Gestão de Pessoas também devem ter um carimbo verde, especificamente nas seguintes ações:

  1. Recrutamento e Seleção: Incluir critérios de comportamento e compromisso ambiental ou selecionar candidatos que revelam consciência ambiental;
  2. Formação e Desenvolvimento Verde: ter em conta o compromisso ambiental no âmbito do levantamento e diagnóstico de necessidades formativas e ter em conta reduzir o custo de papel nas ações, recorrendo ao máximo para ferramentas digitais;
  3. Gestão de Avaliação de Desempenho Verde: incluir objetivos e metas de Gestão Ambiental no sistema de avaliação de Desempenho dos colaboradores;
  4. Sistema de Remuneração e Recompensa: oferecer recompensas (monetárias ou não) para reforçar e reconhecer as metas ambientais atingidas;
  5. Empowerment e participação Verde: Organizar workshops e fóruns de sensibilização para fortalecer a consciência e o comportamento ambiental;
  6. Cultura Organizacional Verde: Incluir nas declarações de Missão, Visão e Valores da empresa o compromisso ambiental e exemplos de boas práticas verdes;
  7. Criar politicas internas que contribuem para a redução de consumo de instalar ecopontos de recolha seletiva, proibição de utilização de copos e garrafas de plástico, redução e monitorização de impressões, etc;
  8. Nomear colaboradores para a categoria de embaixadores ecológicos ou eco-colaboradores que contribuem com a gestão de topo na sensibilização das equipas de trabalho quanto a consciência ecológica e que agreguem valor aos produtos e serviços da organização com a utilização eficiente dos recursos financeiros, humanos e naturais existentes;
  9. Criar estratégias para incentivar a redução de emissões de carbono, através de políticas de partilha de carros, da atribuição de passes gratuitos ou com descontos, ou até da promoção de deslocações a pé ou de bicicleta.

Para além destes aspetos, importa ainda salientar que uma empresa que adote uma Gestão Verde ainda leva vantagem competitiva na atração de talentos, atraindo pessoas alinhadas com propósito e alinhada com os limites do planeta.

Sendo a importância de trabalhar este tema cada vez maior, não só porque os colaboradores  que o tem valorizado cada vez mais – influenciado assim os seus níveis de motivação e satisfação, mas também porque hoje em dia, os candidatos a emprego revelam uma curiosidade e uma preocupação sobre estes temas muito significativa, tornando um fator de atratividade.

Cabe ainda ao RH focar nos meios para trabalhar a mentalidade ecológica das suas pessoas também a nível da comunidade envolvente. Uma empresa com Gestão Verde, cria um impacto positivo na sua sociedade.

Cada vez mais, as organizações procuram ter impacto positivo nas comunidades em que estão inseridas, seja através de ações pontuais ou de políticas de voluntariado, de cariz ecológico ou social, tais como:

  • Limpeza de Praias;
  • Promoção de Programas de Voluntariado em Centros infantis ou Lares de Idosos, Centros de Saúde ou associações;
  • Promover boas práticas Agroecológicas em áreas protegidas;
  • Plantar árvores e promover espaços verdes;
  • Fomentar Ações Formativas e de sensibilização para a comunidade envolvente;
  • Promover protocolos de Parcerias com agentes ecológicos ou instituições para proteção de espécies (ex: tartarugas).

A gestão de pessoas, sob uma perspetiva sustentável, tem ganhado outros contornos: a comunicação interna torna-se um foco da estratégia, o relacionamento com colaboradores torna-se prioridade e as pessoas transformam-se em figuras ativas na construção da marca da empresa perante o público e perante os clientes e garante uma transição segura e benéfica para o negócio.

Não é uma mudança simples, para as pessoas mudarem a sua mentalidade, o seu comportamento e as suas rotinas é preciso tempo e persistência.

Só se tem vontade de mudar quando temos real consciência que é preciso mudar! Nós que gerimos pessoas nas empresas entendemos que as pessoas não fazem o que têm de fazer porque não têm ou não vêm um motivo suficientemente forte para fazê-lo. A Mudança transformadora surge quando encontramos o nosso “porquê”, a nossa causa e a nossa razão.

Cabe ao RH iluminar a força de vontade de cada colaborador, que se não estiver apoiada sobre algo maior, esgota-se! A Força de vontade precisa de um motivo e não há nenhum maior do que preparar um planeta, uma comunidade e uma sociedade melhor para os nossos filhos.

Não existem pessoas desinteressadas ou preguiçosas, só existem pessoas que ainda não encontraram objetivos que as inspirem. Cada um tem o seu “porquê” e a nossa missão enquanto pessoas ou colaboradores é encontrar os nossos para contribuirmos com o nosso melhor.

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