Katia Guedes

Diretora de Gente e Gestão na ABC Cargas

De repente, sem nenhum aviso, tudo mudou. As empresas, líderes e colaboradores se viram em uma nova realidade: trabalho remoto, protocolos, distanciamento social, reuniões à distância… e a isso foi dado o nome de “novo normal”.

Mas, afinal, esse “novo normal” mexeu com a cultura das empresas?

Se entendermos que a cultura é basicamente a maneira de pensar e agir da organização através dos seus funcionários, líderes e a maneira como se relaciona com seus stakeholders, com certeza sim.

E neste aspecto, muitas organizações viram seus “valores” colocados à prova. Nem sempre o discurso manteve integridade com a prática. Pudemos ver empresas que apregoavam valores como “respeito à vida”, na primeira fase da retomada, trazendo pessoas do chamado grupo de risco para a linha de frente dos negócios. Muitas sob a justificativa de fazer parte dos “serviços essenciais”. A verdade é que, diante da crise provocada pela pandemia e suas consequências, muitas empresas vivenciaram um grande dilema entre o respeito a vida ou a retomada das atividades.

Contudo, mesmo reconhecendo o impacto da paralisação da economia, sabemos que se não cuidarmos da qualidade de vida e da saúde mental dos profissionais, nosso capital intelectual estará ameaçado e consequentemente nosso negócio correrá sérios riscos.

Atentas a isso, muitas organizações conseguiram equilibrar bem a questão, conseguindo assegurar o bem-estar dos colaboradores no home office. Também a liderança aprendeu a olhar e a lidar com a individualidade de cada membro da equipe: o solteiro para quem a rotina diária no escritório e a interação com os colegas é fonte importante de bem-estar, o colaborador que não conta com uma infraestrutura adequada para a realização do trabalho em casa, a mãe que precisa cuidar da casa, apoiar os filhos com o ensino à distância e ainda dar conta das responsabilidades do trabalho… e tantas outras situações que presenciamos nesse último ano.

Tudo isso, sem dúvida, criou a necessidade de uma competência estratégica para o líder: olhar e agir individualmente com cada membro do seu time, dando apoio genuíno a cada nova situação e desafio que surgem. E, mesmo quando essa pandemia acabar, arrisco dizer que essa é uma competência que veio pra ficar.

Comunicar nunca foi tão necessário. Na ABC Cargas, nossa área de comunicação interna buscou se reinventar na pandemia, buscando novos caminhos para trabalhar a comunicação e, principalmente, a integração de toda a equipe, em meio à nova realidade do trabalho remoto. Um bom exemplo, foi o lançamento do “App Talk Caminhos”, um aplicativo de comunicação para celular, semelhante a uma rede social, por meio do qual empresa e colaboradores conseguem compartilhar textos e imagens, curtindo e comentando as postagens.

Tudo isso com agilidade e ainda com a possibilidade de segmentação das mensagens e públicos, fazendo com que a informação chegue a quem tem que chegar, na hora que deve chegar. Inovações como essa ajudam a promover a interação e a diminuir o distanciamento provocado pela pandemia, refletindo também na motivação e no engajamento da equipe.

Desta forma, a liderança tem um papel muito importante: afinal, cabe à liderança mediar essas construções, diálogos e ainda influenciar positivamente a sua equipe, e isso só pode ser feito através da comunicação.

Aliás, no pós-pandemia, o desafio do RH certamente será desenhar programas de desenvolvimento da liderança com temas nunca pensados antes, que propiciem reflexões profundas acerca da responsabilidade do líder quanto ao cuidado com os aspetos humanos de seus liderados.

Sim, cuidar das pessoas deve ser uma preocupação que antecede e precisa se colocar acima da própria preocupação com o resultado econômico. Afinal, em um mundo cada vez mais homogeneizado pela globalização, pela informação e pela tecnologia, o diferencial competitivo e o consequente resultado virá da inovação, da criatividade e do engajamento das equipes.


Parceira de Conteúdo responsável pelo artigo: Alessandra Ferreira

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