Mudámos. Mas para melhor…

Danila Ferreira na comunica RH

Ao longo dos últimos 6 meses, o mundo foi assolado com aquela que se prevê ser uma das maiores crises pandémicas da história da humanidade. Chegou de forma fugaz e, ao que tudo indica, sem sinais de abrandamento.

Várias indústrias foram obrigadas a repensar toda a sua organização do trabalho e nós, a Equatorial Coca Cola Bottling Company Cabo Verde (ECCBC Cabo Verde – Cavibel e Ceris), não fomos exceção. 

O 1º passo que o grupo a que pertencemos fez, foi criar um Protocolo de Prevenção ao Covid-19 e definir um conjunto de cenários prováveis, bem como os procedimentos a adotar em cada uma das situações. Fizemos a adaptação do referido protocolo à nossa realidade local e avançamos com a sua imediata implementação.

O Comité de Crise

Criámos um Comité de Crise, constituído pelos representantes das áreas de Recursos Humanos, Segurança e Ambiente, com forte apoio da Gestão do Topo. Esse Comité teve como principais responsabilidades a supervisão, monitorização e reporte dos impactos da Covid-19 em Cabo Verde, no nosso negócio e nos nossos colaboradores, acompanhando todas as medidas tomadas pelo Governo e pelas Autoridades Sanitárias, de forma a procedermos em conformidade com as mesmas. 

A gestão da mudança

As primeiras medidas implementadas foram as indicadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que vão desde o reforço da limpeza e da higienização com a disponibilização de dispensadores de desinfetantes em vários pontos das nossas instalações, à disponibilização dos desinfetantes para os nossos colaboradores, fornecimento de máscaras, viseiras e óculos, medição de temperaturas à entrada da fábrica, colocação de sinaléticas tanto no chão para indicar a necessidade de distanciamento social, como nas paredes para reforçar a prevenção, às instruções de utilização dos transportes coletivos da empresa, ao aumento de turnos para evitar a aglomeração dos colaboradores em todas as áreas da fábrica (horários de entrada e saída, vestiários, cantina). Substituímos a maior parte das reuniões presenciais para reuniões online e reduzimos drasticamente as viagens. Os colaboradores que sentiram qualquer mal disposição foram imediatamente encaminhados para a clínica de saúde com a qual temos um protocolo de parceria assinado, sob total responsabilidade da empresa.

Como fazemos parte de uma Unidade de Negócios ao qual pertencem vários outros países da África Ocidental, tivemos a oportunidade de fazer benchmarking e adotarmos práticas que foram implementadas e que surtiram efeitos positivos nos outros países, para além da oportunidade de, também, partilharmos as nossas práticas.

Os grupos de risco (pessoas com idade avançada, doentes crónicos) foram imediatamente identificados e protegidos.

Com a ajuda da nossa Equipa de IT, conseguimos colocar grande parte da nossa Equipa Administrativa em regime de trabalho remoto. Em menos de 1 semana preparamos toda a logística para garantir que os nossos colaboradores tivessem as necessárias condições para dar continuidade às suas tarefas a partir de casa. Os líderes desempenharam um papel preponderante junto das respetivas equipas, apoiando na adaptação ao novo posto de trabalho, primando pela flexibilidade e colocando um maior foco nos objetivos e resultados, evitando situações de microgestão de equipas. Recebemos excelentes feedbacks das equipas pois estas, embora distantes fisicamente, se sentiam mais próximas devido às reuniões que aumentaram de frequência.

Uma vez que somos uma Indústria, com 2 fábricas a operar, inicialmente criamos uma única equipa multifuncional que pudesse responder às demandas de produção das 2 fábricas, de forma a garantir o mínimo necessário para o abastecimento do mercado local.

Reunimos todos os esforços necessários para que a comunicação fluísse de forma transparente e honesta com todos os nossos colaboradores. Foi com base nesse princípio que desenvolvemos uma série de atividades para o reforço da comunicação interna.

A Comunicação Interna revelou-se uma aliada estratégica da nossa organização. Uma das nossas principais atividades comunicacionais foram os Open Lines que fizemos mensal e trimestralmente. Mensalmente, logo após o fecho do mês, liderado pelo Diretor Geral, com a apresentação dos resultados do mês, e trimestralmente com a participação dos Diretores de cada Departamento para a apresentação dos trabalhos feitos pelos respetivos departamentos ao longo do trimestre. Após cada Open Line lançávamos os surveys junto dos nossos colaboradores para perceber o feedback dos mesmos sobre os assuntos abordados.

Open Lines

Complementarmente a isso, optamos por fazer Open Lines com os Recursos Humanos e todos os colaboradores para apresentarmos os resultados dos surveys, responder às dúvidas e perguntas dos colaboradores e criar um maior alinhamento sobre todo o trabalho que estava a ser feito. Nesses momentos falamos abertamente sobre os sentimentos de ansiedade, insegurança, preocupação no seio dos colaboradores e juntos partilhamos as práticas uns dos outros para minimizar essas emoções.  No final dos Open Lines tínhamos sempre uma mensagem de esperança, do reforço da confiança, da necessidade de continuarmos a primar pelo trabalho de equipa e esforço coletivo para que pudéssemos ultrapassar essa fase, que consideramos ser temporária, da melhor forma possível, reconhecendo e valorizando todos os contributos de cada colaborador em particular.

Para além dos Open Lines, criamos também o projeto “Bu Dúvida, Nós Priocupaçon”, em português “Tua Dúvida, Nossa Preocupação” cujo suporte dos nossos HR Business Partners foi de extrema importância, no atendimento aos colaboradores, através dos diversos canais de comunicação (telefones, e-mails, rede social, presencial) para escutar as suas preocupações e esclarecer as suas dúvidas.

Em todos os surveys havia 3 perguntas que não podiam faltar, relacionadas com a clareza das informações que estavam a ser transmitidas, a avaliação das medidas que estavam a ser implementadas pela empresa, e com o estado psicológico dos colaboradores. As respostas a essas perguntas nos permitiram afinar as estratégias de forma a melhor corresponder às expetativas dos colaboradores.  

O regresso ao “Novo Normal” tem sido paulatino. Criámos um Manual de Retorno ao Trabalho com todos os procedimentos necessários à prevenção ao covid-19, evitar a sua propagação e reduzir, ao mínimo, o risco de contágio para colaboradores, fornecedores e clientes, associado à uma Declaração de Compromisso assinada por todos os Colaboradores da ECCBC Cabo Verde.

Os postos de trabalho foram reorganizados e readaptados. Restringimos ao mínimo a circulação de visitantes, prestadores e fornecedores de serviços dentro das nossas instalações. Implementamos o sistema de registos nas áreas públicas e nos nossos transportes públicos com a finalidade de facilitar o processo de rastreamento dos contactos em caso de contaminação por parte de algum colaborador.

Com alguma periodicidade e, sempre que necessário, realizamos testes rápidos a todos os Colaboradores, principalmente aos que trabalham no terreno, com especial foco nas ilhas mais afetadas que são as de Santiago e Sal.

Neste momento o nosso principal foco está em garantir a segurança de todo os nossos colaboradores, para além de assegurar a continuidade do negócio. O momento também é de contenção de custos para que possamos diminuir os impactos negativos da crise.

A crise pode também ser encarada como momento de novas oportunidades.

Diante de um mercado mais desafiador e exigente, esta crise fez com que nos reinventássemos e encontrássemos novas formas de fazer com que os nossos produtos chegassem aos nossos clientes. A tecnologia foi e tem sido, sem dúvida, uma grande aliada.

Como líder de RH, posso afirmar que as principais aprendizagens retiradas de toda esta pandemia foi a necessidade das empresas criarem estratégias ágeis e flexíveis de adaptação às mudanças repentinas, de forma a fazer face à redução do volume de negócios, ou à suspensão temporária das atividades. Tudo isso deverá ser feito considerando todos os recursos da empresa: financeiros, materiais e o principal ativo das organizações que são os seus colaboradores. É como se colocássemos um olho no presente e o outro no futuro, maximizando os recursos, tendo em conta as necessidades atuais, e, ao mesmo tempo, mantendo o foco no futuro, na segurança e no bem-estar dos colaboradores e de toda a nossa comunidade. Mais do que cuidar do negócio, é preciso cuidar das pessoas pois são as pessoas os principais responsáveis para a alavancagem do negócio.

Recursos Humanos mais próximos

O papel dos Recursos Humanos, mais participativo e focado na procura de soluções, tem sido imprescindível, principalmente no que respeita à segurança física e psicológica, saúde e bem-estar dos colaboradores; no rápido entendimento do negócio e apoio às tomadas de decisões que se tornaram fulcrais para a sobrevivência e rápida recuperação do negócio; na liderança dos comités de crise; no acompanhamento e interiorização das alterações à legislação laboral no âmbito da pandemia; na definição de estratégias de comunicação com os Colaboradores, os Sindicatos, a Direção Geral do Trabalho, a Inspeção Geral do Trabalho, a Direção Geral de Saúde, o Instituto Nacional de Previdência Social, entre outros órgãos governamentais.

Contudo, é preciso reconhecer que nada disso seria possível sem um exaustivo e incansável trabalho de equipa de todos os departamentos, desde os Diretores das áreas, às Chefias Intermédias, bem como o apoio incondicional dos nossos colaboradores focados em garantir que os procedimentos de prevenção fossem e continuam a ser cumpridos à risca, com a responsabilidade coletiva de identificarmos todas as medidas que possam nos ajudar na mitigação de riscos para a nossa comunidade laboral e sociedade em geral. Em pleno Estado de Emergência, tivemos equipas na linha da frente, a correr riscos diariamente, mas que não baixaram os braços em momento algum. 

Acreditamos claramente que sairemos mais fortalecidos desta crise, com um sentido muito elevado de autorresponsabilidade, mais resilientes, com maior segurança psicológica e mais participativos na vida da organização.  Mais do que nunca, vimos os nossos valores a serem reforçados: com um grande nível de RESPONSABILIDADE trabalhamos diariamente, com EXCELÊNCIA e muito respeito pela nossa DIVERSIDADE, com vista à uma maior SUSTENTABILIDADE da nossa empresa. Isso tudo é PAIXÃO pela camisola que vestimos e pelas marcas que representamos. Por isso somos uma EQUIPA VENCEDORA.    

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1 Response

  1. Leonilde de Almeida diz:

    Excelente medidas e iniciativas. As empresas que colocam os seus colaboradores em primeiro lugar saem sempre a ganhar. Mesmo perante a crise estão sempre engajado e motivados.

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