Vieira Junior

Gerente de Comunicação, Marketing e Sustentabilidade Sicoob Cocre

O líder cuida de pessoas e são elas que podem mudar o mundo. Pode parecer clichê, mas nunca estivemos em uma situação tão alarmante como a colocada pela crise ambiental sem precedentes.

A conclusão é que falta tudo, inclusive tempo. Apenas um recurso se mostra abundante: o humano. E talvez seja essa a única arma potente para nos tirar dessa emboscada que conta com o nosso DNA, identidade e impressão digital. Se fomos capazes de criar tudo isso com as próprias mãos, também podemos, agora usando a cabeça, consertar tudo e tentar sair de um caminho que parece não ter volta.

Os questionamentos são diretos: como vamos produzir, consumir, nos relacionar e, em geral, viver?

Haverá espaço, emprego, oportunidade e recursos para que todos?

Do jeito que estamos não! Agora, há uma estratégia (cansativamente repetida, mas necessária) a ser seguida e que pode garantir a existência: a sustentabilidade.

Se a partir de eventos como a Rio 92 e Rio +20 passamos a ver o mundo em um movimento de transformação (inclusive com a criação do Pacto Global), temos observado, também, empresas que, por uma visão de negócio, passaram a perceber o tamanho do impacto que a crise ambiental tem causado.

Essas organizações notaram que seus negócios não estão alheios a eles. O consumidor, por exemplo, mudou e com ele o modo de consumir.

Diante disso, essas companhias têm tomado a frente e assumido o protagonismo no que diz respeito às estratégias de sustentabilidade, não apenas cumprindo exigências, regulações e fiscalizações, mas propondo novas formas de observar o negócio. É a sustentabilidade tornando-se parte da estratégia, um valor inexorável dentro das organizações.

Neste processo, a liderança, juntamente com a área de Recursos Humanos, chamada por muitos de “Guardiã da Cultura”, possui extrema importância.

Ela pode contribuir, e muito, para que as organizações se conscientizem e se voltem para a criação de uma cultura sustentável. Que cultura garantirá a existência da sua organização nos próximos 30 anos?

Que tipo de valor os profissionais devem introjetar para que seus empregos estejam garantidos em um mundo que será cada vez mais competitivo pela falta de recursos?

Qual é o tipo de inovação que será incentivada? Que valores humanos são necessários?

Questões como essas nortearão a existência dos negócios nos próximos anos e podem, sim, contar com um grande apoio de líderes e, principalmente, da área de RH que, importando a sua descrição da economia (Recursos), já pressupõe a capacidade de captar e transformar de modo excelente um recurso bruto.

É a hora e a vez da liderança, é a hora e a vez do RH ser protagonista na apregoação do chamado “Evangelho da Sustentabilidade” contra os já anunciados “Cavaleiros do Apocalipse” do século 21.

Olhar para a sustentabilidade na sua essência (Negócios, Pessoas e Meio Ambiente) é o único caminho. Como primeiro passo, eu insisto que é preciso olhar verdadeiramente para as pessoas, formando melhor os líderes e formando gestores com base em princípios. Recuperar valores essenciais como a empatia é primordial.

Se não nos importamos com o próximo, como poderemos nos sensibilizar com a extinção de outras espécies ou mesmo com os negócios da empresa? A crise ambiental é, antes de tudo, uma crise de ego, humana e empática. Precisamos abraçar pessoas, não árvores.

Os líderes cuidam de pessoas e são elas que podem inovar e fazer o negócio existir daqui a 100 anos. São elas que, nesta nova forma de fazer negócio, inaugurarão também a nova forma de vida na Terra. Que bela missão.

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