Pelo direito de SER mulher

Igualdade

Há uma pluralidade infinita de formas para se definir o que é ser mulher.

Embora, não por acaso, sempre acompanhei com certa curiosidade os esforços conduzidos mundialmente em 8 de março para sintetizar o complexo conceito desse ser. No entanto, por inúmeras vezes, eu me senti desconfortável no Dia Internacional da Mulher ao ser impactada por narrativas românticas que enalteciam a nossa capacidade de equilibrar múltiplas funções – entre carreira, estudos, maternidade e o lar.

Desde o início da pandemia, aliás, essa abordagem tem sido cada vez mais frequente: “Mulheres são guerreiras”, tenta prestigiar quem, nem sempre, parou para refletir que essa habilidade foi estimulada por uma divisão desigual de responsabilidades, em uma sociedade ainda estruturalmente machista.

Por conseguinte, existe muita pressão sobre ser mulher nos dias de hoje. Uma análise do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) indica que o público feminino gasta 95% a mais de tempo que o masculino com afazeres domésticos (1).

Enquanto buscamos ativamente pela equiparação de salários e oportunidades no mercado de trabalho, enfrentamos também o medo ao observar os números de feminicídio, agressão e violência sexual crescerem a cada ano.
Portanto, neste cenário tão complexo e desafiador, como não poderia ser diferente, venho buscando colaborar proativamente com o desenvolvimento da equidade de gênero. Com o fim de garantir que nossas meninas e mulheres tenham o direito de ser. Simplesmente o que quiserem: mães, cientistas, estudantes, executivas…Tudo ao mesmo tempo ou apenas um de cada vez. Em uma jornada de autenticidade e também de autocuidado.

Entretanto, nessa trajetória, percebi que quando discutimos sobre os direitos das mulheres, quase sempre, negligenciamos um dos que compõem os mais básicos: a saúde. Contudo, no último ano, quando a pandemia passou a exigir mais de todos, sobretudo, de nós, mulheres, me peguei aflita refletindo sobre o tema.

Não é incomum vermos mulheres priorizando seu trabalho, as tarefas da casa e os cuidados com as pessoas da família em detrimento dos cuidados necessários ao seu corpo e mente – o que, vale ressaltar, se agravou ainda mais neste período crítico que vivemos.

De fato, um exemplo claro está no câncer de mama que, em janeiro deste ano, passou a ser a forma mais frequente da doença no mundo, superando as incidências de câncer de pulmão (2).

De fato, no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer, 66 mil novos casos são diagnosticados por ano (3).

Se o número de mulheres impactadas impressiona, o acompanhamento das histórias não é diferente: o estudo Amazona III, publicado em 2020 pelo Grupo Brasileiro de Estudos do Câncer de Mama (GBECAM), revela que apenas 34% das pacientes foram diagnosticadas por meio de exames de triagem, como a mamografia, sendo 53,2% no setor privado e 22,9% na saúde pública (4).

De fato, todas as outras somente chegaram ao diagnóstico já com sintomas, em um estágio avançado da doença. Certamente que o tema é complexo e multifatorial, com certeza, envolvendo também questões como o acesso à saúde.

De todo modo, os números nos alertam sobre a necessidade de um esforço coordenado, conjunto, para conscientizar a sociedade, incentivando que mulheres coloquem os cuidados com a sua saúde em primeiro lugar – buscando sempre o acompanhamento médico adequado.

Trabalhando na Roche, empresa líder no setor, busquei conhecer em quais iniciativas poderia me envolver para apoiar diretamente na transformação desse cenário. Foi quando conheci o Movimento Vem Falar de Vida. No sétimo mês da pandemia, lançamos essa coalizão voltada a mitigar o estigma e o medo sobre o câncer de mama, gerando conscientização e fomentando a discussão de soluções que possam colaborar com a saúde da mulher.

Assim , aproveito este artigo para reconhecer e agradecer as mais de 100 instituições que hoje compõem essa rede de propósito compartilhado que têm falado de vida por aí, de forma autêntica, com informação e leveza. Reconhecendo que antes, durante e depois do câncer, existe uma mulher única com suas fortalezas e fragilidades.

Portanto, este é o convite que faço para você, que me lê neste momento, que neste mês da mulher, juntos, possamos assumir uma atitude protagonista e colaborativa para garantir que todas brasileiras tenham acesso aos cuidados de saúde de que precisam.

Neste sentido, que no chamado “novo normal”, abandonemos a linguagem bélica, destacando menos “guerreiras”, mas prestigiando e acolhendo as vulnerabilidades e a essência de quem está à nossa volta. Que, acima de tudo, possamos garantir às meninas e mulheres brasileiras a saúde necessária para o ser.

Para conhecer mais sobre o Movimento Vem Falar de Vida, acesse: go.roche.com/vemfalardevida. Faça parte dessa rede!

Referências:

(1). Dieese. Brasil A inserção da Mulher no Mercado de Trabalho. 4º trimestre de 2019. Disponível em: ttps://cnti.org.br/html/Smulher/2020/InsMulMercTrab2019.pdf. Acesso em 04/03/2021

(2). World Health Organization. Breast cancer now most common form of cancer: WHO taking action. Disponível em: https://www.who.int/news/item/03-02-2021-breast-cancer-now-most-common-form-of-cancer-who-taking-action. Acesso em: 04/03/2021.

(3). Instituto Nacional de Câncer. Tipos de câncer: câncer de mama. Disponível em: https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-mama. Acesso em 04/03/2021.

(4). Rosa, D.D., Bines, J., Werutsky, G. et al. The impact of sociodemographic factors and health insurance coverage in the diagnosis and clinicopathological characteristics of breast cancer in Brazil: AMAZONA III study (GBECAM 0115). Breast Cancer Res Treat 183, 749–757 (2020). https://doi.org/10.1007/s10549-020-05831-y.

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