2021… e agora! Proposta de Reflexão

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É inegável que o ano de 2020 será recordado nos livros de história e, concretamente nos arquivos que registam as páginas da evolução da organização da vida em sociedade, como um ano em que o mundo mudou…

A primeira pandemia global do sec. XXI trouxe uma rutura epistemológica de consequências ainda difíceis de medir. Não temos o distanciamento necessário para o fazer.

Existe, no entanto, algo que é seguro dizer: o impacto da pandemia no comportamento individual e no modo como nos relacionamos, quer do ponto de vista pessoal, quer do ponto de vista social, alterou-se de modo, diria, irreversível…

É a confirmação óbvia de que o que era tido como certo e adquirido, é de um momento para o outro colocado em causa na sequência de uma série de eventos que deram origem a um fenómeno com uma fulminante repercussão à escala global.

Se antes esta tipologia de acontecimentos decorria de fatores mais ou menos exógenos à vontade humana, hoje sabemos do impacto e escala que pode ganhar um “erro” humano num qualquer ponto do globo, de uma localidade mais ou menos desconhecida, de um território mais ou menos longínquo.

A nossa vontade, a força dos mais fortes e os sistemas em que estamos organizados, vergam com uma facilidade avassaladora à força destas novas circunstâncias. De repente, tudo tem de ser reequacionado e todos precisamos de nos adaptar a uma nova realidade que se nos impõe de forma mais ou menos direta e cujo efeito de onda é desconhecido quanto ao tempo, ao espaço e à intensidade dos seus resultados.

O certo passa agora a incerto. Os convénios são colocados em causa. A sociedade é forçada a evoluir e a reinventar-se. O estabelecido passa a ser efémero. Novas realidades impõem-se.

Dificilmente se poderá negar a possibilidade de repetição destes eventos, qualquer que seja a sua forma ou matriz, no futuro próximo ou distante.

Todos sabemos e, está mais do que evidenciada, da nossa enorme capacidade de adaptação aos contextos mais díspares por mais adversos que possam ser, no limite, quando está em causa a nossa sobrevivência enquanto civilização. Os novos paradigmas civilizacionais que decorrem desta adaptação implicam novas formas de nos posicionarmos no complexo universo de relações pessoais, familiares, sociais e, dentro das sociais, concretamente nas “profissionais”. Vão necessariamente implicar novas formas de organização do trabalho e novas abordagens, quer em termos de conteúdo, quer da forma. O nosso contributo para a criação de valor em sociedade, implica que nos tenhamos de reinventar quanto às nossas competências, em sentido mais lato do termo, para termos lugar a reivindicar um sentido para a nossa participação no coletivo. Todos seremos chamados a dar o nosso contributo, quando o incerto se revelar.

Neste contexto a gestão estratégica de pessoas assume um papel complexo e desafiante.

Os responsáveis formais da gestão de pessoas estarão confrontados com uma realidade absolutamente única quanto às suas caraterísticas e para a qual os melhores manuais não preveem uma fórmula nem indicações precisas de como atuar. As pessoas estarão no centro de todas as prioridades e precisarão de uma liderança muito efetiva das suas necessidades e preocupações, que lhes permita trazer alguma clareza e orientação em tempos tão instáveis e equívocos. Terão sobretudo necessidade de que lhes seja mostrada a sequência de estágios de desenvolvimento, pelos quais se devem orientar, tendo em vista a aquisição das novas proficiências necessárias ao seu sucesso e das suas organizações.

Seguramente que existirá uma matriz base de conhecimento formal e comportamental que, independentemente do cenário que enfrentemos, será sempre valorizada e servirá como utensílio para lidar com o futuro.

Vários já demonstraram que em situações de crise os melhores preparados são os mais resilientes, os mais ágeis, os mais criativos e os que tiverem maior inteligência emocional. Se a isto somarmos o domínio das ferramentas e instrumentos dos sistemas de informação e comunicação e dos conhecimentos robustos e específicos das áreas científicas de base, então poderemos dizer que a placa mãe para dominar o mínimo estará completa.

O que se esperará da gestão de pessoas é que sejam o principal intérprete das novas realidades e que estejam na vanguarda do desenvolvimento das capacidades necessárias à reconversão dos seus talentos. Os contratos de vinculação psicológica terão necessariamente de ser reescritos e terão de incluir um reforço da atratividade funcional e sobretudo terão de demonstrar inequivocamente, a importância relativa, mas capital, de cada ator do processo organizacional.

Estamos claramente num período de grande volatilidade, sendo normal que ainda não o entendamos na totalidade. O desafio maior neste momento é perceber como vai ficar tudo depois deste conjunto de acontecimentos novos. A clareza de pensamento, que nos vai permitir procurar o melhor alinhamento das nossas escolhas pessoais com as necessidades das organizações das quais fazemos parte, tardará em acontecer.

A criação da primeira camada de conhecimento implica necessariamente a partilha e transparência dos sucessos conseguidos à escala global, baseado no método de tentativa e erro ao nível dos microprocessos, que quando normalizados, nos permitirão avançar para o próximo patamar, da busca da estabilidade dos sistemas mais complexos.

O valor da flexibilidade e do reajuste, a abertura e desejo ao conhecimento novo, a automotivação, a relativização do acessório e a priorização do essencial, a par de uma visão profundamente humanista e solidária, permitirão encontrar, novamente, o equilíbrio. O estímulo é grande. O esforço necessário para o conseguir ultrapassar será ainda maior. O desidrato é o que nos deve orientar. A prossecução civilizacional é a garantia que procuramos obter.

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