Ainda se fala pouco dos liderados

Ainda se fala pouco dos liderados. Fala-se muito de liderança, da experiência do líder, dos vários tipos de líder, modelos que simulam cenários entre líderes e liderados, mas dá-se pouca atenção à verdadeira experiência dos liderados – e são estes, os liderados, que são a base da liderança. É a estes que a liderança deve servir.

Seria interessante ver, um dia, um estudo sobre a experiência dos liderados e os seus desafios, nas organizações portuguesas. Do que sabemos, do quadro global, Portugal é dos países com menores níveis de engagement global (Gallup) e é também dos países que mais utiliza antidepressivos por questões relacionadas com trabalho.

Podemos especular sobre vários cenários, a verdade é que a literatura e estudos de consultoras provam a existência de uma forte relação entre liderança e o engagement (as principais causas do turnover estão associadas à liderança). De igual forma, a liderança apresenta uma forte relação com as condições emotivas e o burnout laboral que originam o recurso a fármacos. Pode existir aqui um problema de liderança!

Mas vamos pôr o dedo na ferida: a verdade é que se opta por ignorar o problema. Existem maus líderes – é um facto. Existem seres que nem deviam estar nas funções que ocupam – e tentar imaginar como lá chegaram é outra história. Muitas das vezes, o que se pensa sobre estas (más) lideranças é: não vamos movimentar aquela pessoa por questões políticas ou porque simplesmente “entrega os resultados” ou “não é um mau líder, a culpa é da equipa”.

Gestores e líderes, muitas das vezes, optam por ignorar o problema dos maus líderes.
As empresas escolhem “camuflar” o problema (ou protelar a derradeira solução) com coaching e programas de liderança. Não é suficiente. É preciso identificar os casos, isolar e repensar que líderes queremos para a organização.

É com modelos, como o de HR Business Partner que garantem a proximidade às equipas e permitem detetar e agir sobre estes casos. É com questionários de clima organizacional que se mede a temperatura destas lideranças e equipas e desenvolvem-se planos de ação para as diferentes áreas. E a lista não termina, com soluções possíveis para detetar e agir sobre lideranças problemáticas.

Numa altura em que as equipas se isolam atrás do ecrã, os casos de maus líderes também se isolam entre a dinâmica de líder e liderado e a visibilidade sobre esta dinâmica reduz.

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