José Bancaleiro

Managing PartnerStanton Chase Portugal – Your Leadership Partner

A amizade é uma relação entre duas pessoas, continuada, de afetos e sem barreiras de sexo, cor, idade, classe social, cultura ou país de origem. É uma relação humana profunda, leal, desinteressada, altruísta, e que se alimenta ao longo do tempo de práticas de afeto, tolerância, reconhecimento e respeito mútuo.

Amizade é muito mais que simpatia, apreço, estima ou carinho. E também que intimidade, afinidade ou companheirismo. Isso nós sentimos pontualmente por muitas pessoas de quem não somos amigos. Falta, entre outros aspetos, profundidade e continuidade.

A amizade é uma relação vivenciada e que vence as barreiras do tempo e do espaço.

Também não se confunda amizade com amor. Como dizia Camões:”Mas como causar pode seu favor / Nos corações humanos amizade, / Se tão contrário a si é o mesmo Amor?” Amor é fogo, é desejo, é desatino, é contraditório e é eterno . . enquanto dura. Amizade é bem-estar, é satisfação, é respeito, é solidariedade e é para toda a vida.

Verdade seja dita que o conceito de amizade é varia entre culturas. Nas culturas latinas as relações de amizade são escassas, genuínas, desinteressadas, leais, altruístas e longas. Nas culturas Anglo-Saxónicas as amizades são muitas, são contextuais, são orientadas por interesses pessoais e, consequentemente, de curta duração. São o que nós habitualmente apelidamos de “amigos da onça”.

Construir amizades no local de trabalho é perfeitamente possível, mas não é fácil.

Não é por acaso que surgiu o ditado popular “amigos, amigos, negócios à parte”. De facto, as interações em ambiente profissional são permanentemente marcadas por objetivos a alcançar, exigências de performance, competição, choque de ideias e choque de interesses.

São, por isso, muitas as probabilidades de surgir ao longo do tempo um conflito que prejudique a relação de confiança, desinteressada e afetiva que caracteriza a amizade. Isso justifica que muitas pessoas evitem criar relações de amizade nos seus locais de trabalho. Uns não se “dão” por desconfiança, outros por receio de se magoar e outros ainda pelas duas razões.

O facto de as pessoas evitarem em ambiente profissional ser amigas, no entendimento mais puro desta palavra, não significa, pelo contrário, que não devam manter relações amigáveis. Este tipo de relações estão mais próximas do conceito Anglo-Saxónico de amizade. As relações amigáveis perdem alguma da profundidade, do desprendimento, da lealdade e da duração da amizade das culturas latinas e ganham mais objetividade, frequência, distanciamento e transitoriedade das culturas Anglo-Saxónicas.

As relações amigáveis baseiam-se na empatia, na flexibilidade, no bom senso, na tolerância, no respeito, na solidariedade e na cooperação. São fundamentais para as organizações atingirem os seus objetivos e absolutamente determinantes para as pessoas manterem a sanidade mental e emocional.

 Nas organizações não temos de ser amigos, mas devemos ser amigáveis!

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