Aplicando a INTELIGÊNCIA EMOCIONAL na comunicação

Raul de Orofino na comunicaRH

Dou aulas de inteligência emocional há 11 anos. Comecei dando essas aulas numa Pós-Graduação em Gestão Hoteleira, em Lisboa, na Universidade Isla Laureate (atual Européia), durante 3 anos e logo depois adaptei essas aulas em formato workshop para as empresas com a duração de 14 horas.

Conto isso porque trabalho a inteligência emocional de forma não convencional – nas minhas aulas ninguém usa lápis, papéis, powerpoints – os exercícios são psicofísicos, o corpo do formando é estimulado e assim as células dele são desbloqueadas. Falo das células porque aprendi com meu terapeuta que é médico, que todas as células contém inteligência, afeto e sensibilidade.

Então, quando eu trabalho a inteligência emocional, o tempo todo as células dos formandos são estimuladas  e  trabalhadas.  Os pensamentos e as emoções que impedem as pessoas de serem emocionalmente construtivas vão embora, e no lugar disso, a própria pessoa sente que volta a ficar mais pura e limpa dos “lixos emocionais” e redescobre uma nova maneira de estar presente na vida. 

Passam a ficar despertas, desligam o que chamo de “viver em piloto automático” e ficam atentas naquilo que  acontece no presente com elas.  Voltam a ter prazer em viver porque se consciencializam que estão vivas agora.

Como tudo o que falamos fica sentido e gravado nas nossas células, e é claro, no nosso cérebro, os formandos passam a ficar atentos ao que dizem, como frases: “isto é muito difícil”, “isso eu não consigo”, “vai ser complicado”. Eu lhes digo que, se você diz que é difícil, o teu cérebro regista e passa a ser mesmo difícil. Mude o pensamento para “posso conseguir” , “quero conseguir”, “estou a conseguir”. O mesmo acontece em relação aquilo que você disse que será complicado,  substitua com “vai ser mais simples”, “está sendo mais simples”.  É fundamental escutar aquilo que estamos a dizer para nós mesmos e para os outros. A mente quando exercitada nos traz boas surpresas e grandes benefícios.

Assim, os formandos passam a ter atenção ao que falam e ao que escutam pois descobrem novas maneiras de escutar a si mesmos, pois podem escutar as suas intuições e passam naturalmente a escutar as outras pessoas de forma diferente, mesmo as que elas convivem há anos. Escutar com atenção no momento presente nos dá outra qualidade na comunicação, pois você também tem consciência que, a pessoa com quem você está falando está viva “agora”.  Muitos passam a saborear aquilo que é dito, como também a própria vida de uma forma consciente sem ser automática.

Aí passa a acontecer algo que chamo de “empatia emocional” que é capacidade de se colocar no lugar do outro de maneira emocional.

Na civilização ocidental falamos muito e escutamos pouco. A empatia emocional acontece quando temos a decisão de ao mesmo tempo escutar, olhar e realmente querer receber o que o outro está a me dizer mesmo que ele esteja calado.  A maneira que o outro me escuta calado é a maneira que ele fala comigo. Querer escutar o outro é uma doação. Você doa a sua energia de vida para escutar ou melhor, sair do seu espaço e querer perceber/receber o outro. Nunca será igual escutar a mesma pessoa duas vezes. Muitas vezes nos comportamos como se fosse, mas nunca é. O ser humano passa por diferentes sensações e emoções durante o seu dia.

E me pergunto: “até que ponto você se escuta no momento presente?”. Há um mau hábito que é passar por cima das sensações e informações que sentimos. Quando você dá um “stop” e quer se ouvir, a intuição ligada ao hemisfério direito do cérebro (lugar da inteligência emocional) fica ativada. E você pode perceber coisas que jamais percebia porque não estava desperto e atento.

Muitas vezes as pessoas me dão informações, falam comigo, e eu as escuto minuciosamente.  Cada palavra, cada frase e cada silêncio entra nos nossos corações. E é normal às vezes não sabermos responder de imediato. Às vezes precisamos de um tempo para registar tudo.

No mundo profissional é fundamental deixar espaço para que você perceba que sensação sente ao estar numa reunião com muitas ou com uma só pessoa. Se você deixar espaço para a sua intuição, a conversa ou reunião terá mais qualidade.

Ao escutarmos os nossos silêncios e os das outras pessoas, a nossa intuição pode nos auxiliar imenso até mesmo para decisões e resoluções de problemas. Os líderes que realmente querem escutar os seus diretores e colaboradores saberão integrar melhor as equipas e obterão uma melhor qualidade na forma de liderar. O mesmo é válido para as vendas. Quando os comerciais deixam de ligar o piloto automático, deixam de ser ansiosos para vender e sabem receber os clientes de verdade, com o prazer de escutá-los, a venda tem mais qualidade.

Nesse momento em que são feitas muitas reuniões online e muitas “lives”, é fundamental que possamos refinar a nossa comunicação, pois vemos, na maioria das vezes, apenas os rostos das pessoas, mas não as vemos de corpo inteiro.

Se presencialmente, podem existir falhas nas nossas comunicações, quando ela é online, nossa atenção tem ser maior ainda para que não existam ruídos de comunicação. E o prazer de escutar tem de ser desenvolvido.

Querer escutar e receber os sons das outras pessoas é um exercício infinito. Se estivermos abertos para melhorar a nossa maneira de se comunicar, seja contigo mesmo ou com o outro, teremos mais sucesso e prosperidade na nossa vida pessoal e profissional.

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