Matilde Robinson de Miranda

People & Culture | Moxie Lead

Hoje, nos tempos que correm, falamos de inúmeros assuntos nas organizações. A formação, seja ela uma pós-graduação ou um mestrado na nossa área para aprofundar conhecimentos, uma certificação que necessitamos para fazer ainda mais e melhor no dia-a-dia laboral, o tal cargo que ambicionamos atingir, mas falta falar de algo tão ou mais importante que os temas anteriores – as habilidades do futuro.

Questionaremos ao longo do tempo quais serão as habilidades futurísticas. O que será necessário saber no futuro? Julgamos que ninguém terá a resposta mágica para esta questão, no entanto o futuro é hoje, a era da mudança já chegou. Terminada a era industrial, onde existiam regras claras a seguir, iniciámos a era da informação alicerçada no conhecimento, que irá exigir de nós maiores habilidades comportamentais.

É lógico que manteremos a necessidade de conhecimento técnico, da Licenciatura ou Mestrado que nos darão conhecimentos técnicos na área que pretendemos abraçar, porém, e cada vez mais, as habilidades técnicas ficarão para segundo plano porque se prevê que na próxima revolução tecnológica a inteligência artificial ocupará um lugar de destaque na sociedade.

“As habilidades técnicas terão prazo de validade. Decorar a informação que nos é passada no curso já não faz sentido, decorar fórmulas e tabelas já não faz sentido nesta nova era. E porquê? Porque essa informação não servirá de nada se nós não tivermos competências comportamentais para as aplicar.

A única coisa em que poderemos estar em vantagem, em comparação com as capacidades da futura inteligência artificial, serão as habilidades comportamentais que dificilmente um “robot” poderá aprender.

Em todas as etapas da nossa vida académica ninguém nos ensina a resolver problemas, a ter pensamento crítico, a saber avaliar os prós e os contras das diferentes situações, a medir o peso de uma decisão e o seu impacto numa organização. Ninguém nos direciona para aquilo a que chamamos soft skills. Estas e muitas outras competências têm de ser trabalhadas por nós, dia após dia, individualmente e coletivamente.

Estas serão algumas das habilidades do futuro que nos serão exigidas pelo mundo para o qual estamos a caminhar, a passos largos:

Capacidade de trabalho em equipa

Sempre ouvimos falar desta exigência – “ser capaz de trabalhar em equipa”. A grande questão que se coloca aqui é se somos mesmo capazes de o fazer. Se estamos pré dispostos a abdicar das nossas convicções em prol da equipa e da empresa para a qual trabalhamos. É necessária cooperação, saber ouvir e respeitar o outro. Ser empático. Criar laços laborais de entreajuda. Gerar resultados não depende só de um elemento, mas sim de todos em conjunto, sendo assim deveremos saber baixar a guarda e em muitas situações abdicar do eu para dar lugar ao nós.

Liderança e gestão de pessoas

Característica implacavelmente requisitada em cargos de liderança, mas que nem sempre o nome faz jus ao seu verdadeiro significado. Liderar uma equipa não é simplesmente dar ordens a pessoas, mas sim orientá-las e coordená-las para que juntos atinjam o mesmo objetivo. Muito importante também é saber transmitir informação, de forma clara e concisa. Coordenar uma equipa e motivá-la é difícil para muitos, mas inato para outros, no entanto, para todos o fundamento é saber criar uma conexão com os seus elementos. Esta capacidade deverá ser transversal a todos os níveis de uma organização.

Criatividade

Pensar fora da caixa. Mudar o mundo padronizado que conhecemos, quebrar os paradoxos antigos. Criar formas de agir diferentes das antes vistas, fazer mais e melhor. Existem diversas formações, workshops, webinares, a simples prática de desporto que nos poderão ajudar a ser mais criativos no dia a dia. Por exemplo, sempre que nos dirigimos para o trabalho seria interessante alterar o nosso percurso diário, isto para que o nosso cérebro não se torne preguiçoso e nos obrigue a pensar e repensar de que forma poderemos chegar àquele local. Neste caso iremos não só exercitar o nosso cérebro como também auxiliar a nossa criatividade.

Ter pensamento crítico

Saber avaliar as circunstâncias, encontrar um ponto de equilíbrio, medir o poder das decisões. É muito importante saber sugerir sem receios. Podemos dar a nossa opinião, sugerir que aquele projeto seja feito de outra forma, encontrar em conjunto uma alternativa, ter pensamento crítico quanto a uma situação, mas temos de o saber fazer com bom senso e sem ferir suscetibilidades e egos. Ter pensamento crítico não é ofender nem dizer que nos opomos a algo unicamente porque sim, mas sim dar o nosso input, a nossa visão das coisas por forma a ajudar a melhorar algo ou alguém.

Poder de tomada de decisões

Saber analisar as diferentes situações e agir de forma instantânea, muitas vezes em momentos críticos. Saber quando e como atuar perante determinada ocasião. Para isso necessitamos de ter agilidade mental, essa agilidade pode ser trabalhada diariamente, dado que o nosso cérebro é como um músculo que pode, e deve, ser exercitado diariamente. Sempre que surjam imprevistos é fundamental ter a capacidade de encontrar a resolução, a solução mais adequada para determinada situação. Aquilo a que nós, muitas das vezes, denominamos de problem solving.

Inteligência emocional

Olhar para si mesmo é um ponto de partida para o crescimento pessoal e profissional. Saber analisar em si as forças, as fraquezas, as ameaças e as oportunidades. Uma maior inteligência emocional irá preparar-nos para o mercado de trabalho, para os contratempos diários e para todos os obstáculos que poderão surgir. Outro auxílio para uma melhor inteligência emocional é o mindfulness que também ajudará a lidar com suas emoções com que nos deparamos diariamente.

Flexibilidade cognitiva

É o poder de adaptação face a novos desafios, novos caminhos, novas metas. Será de extrema importância dada a constante mudança que sofremos nesta nova era, em que hoje estamos aqui, mas amanhã poderemos estar noutro local com outras formas de trabalhar, de ver o mundo, de atuar no mercado. Mas para abraçar novos desafios necessitamos de ter flexibilidade cognitiva para absorver sem barreiras toda a informação necessária para o nosso sucesso.

Poder de negociação

Não se trata apenas de saber fazer o nosso trabalho, é importante saber negociar. Negociar situações que sejam benéficas para ambas as partes, que nos tragam mais valias a todos. Quando falamos em poder de negociação este será aplicável a situações como uma mudança de emprego, de cargo, eventuais alterações na nossa equipa. Existem diversas situações em que saber negociar é uma mais-valia.

Orientação para serviços

É pertinente saber observar e entender as necessidades do outro. De um colega de trabalho, de um amigo, até de alguém que vamos entrevistar para um determinado cargo, mas que afinal tem perfil para outro que também temos disponível. Saber onde podemos ser úteis. Todos nós somos profissionais que servimos outras áreas, servimos clientes internos ou externos, servimos a nossa organização diariamente.

Na verdade, o que nos é pedido é que ganhemos capacidade de sentir, de ser mais humanos no nosso dia a dia laboral. O nómada do futuro, que somos nós, já está em constante aprendizagem, está em constante “mutação”, porque não importa mais o que aprendemos à anos atrás, tudo isso muda a cada ano que passa com a evolução tecnológica. Vamos ter de desaprender para aprender novamente, deixar cair o velho para deixar entrar o novo, e assim por diante.

É imperativo que tenhamos habilidades comportamentais. Que saibamos criar ligações humanas. Só há uma forma de ser melhor que um robot, é ser mais humano que ele.

“Uma boa gestão emocional está na base do que se acredita ser a inteligência do futuro.”
Daniel Goleman (1995)

Deixe uma resposta