As resoluções de Ano Novo: responsabilidade para a ação

O início de cada ano é normalmente um período em que, munidos de muito boas intenções, desejos e vontades, definimos objetivos a conquistar e concretizar.

Contudo, não raras vezes, na azáfama do dia-a-dia, as tarefas urgentes vão aparecendo e acumulando e acabamos por deixar que o ruído do quotidiano nos faça passar para segundo plano os nossos projectos.

Sim, eu sei que há prioridades…

Sim, eu sei que o tempo é o recurso mais limitado que temos… Sim, eu sei que andamos cansados, desanimados, sem energia, que nem sempre somos reconhecidos ou recompensados na devida proporção… Sim, eu sei que temos vida para além do trabalho, e não são poucos os compromissos, responsabilidades e preocupações que daí advêm… Enfim, só de me recordar da agenda já estou extenuada!

O que é facto é que, se não formos nós a ter a iniciativa, a arregaçar as mangas, a organizarmo-nos de forma mais eficaz e eficiente, a sermos mais exigentes connosco, bem que podemos continuar a reformular desejos à meia-noite de cada novo ano que o resultado não será muito diferente.

Ninguém disse que o caminho seria simples, fácil de trilhar e livre de obstáculos. Mas, afinal, queremos ou não? Se sim, não vale a pena empurrar com a barriga, protelar decisões e ações. O momento é aqui e agora. Nunca existirá a altura ideal… a vida vai passando e os desafios vão surgindo, uns a seguir aos outros. Por isso, queremos muito ou não? Estamos, ou não, dispostos, a alterar algumas coisas no nosso quotidiano para concretizar sonhos?

Este artigo não pretende ser um texto romântico, ao estilo arco-íris da pandemia, “vai correr tudo bem”. Não, não vai! Todos nós vamos ter dias em que está tudo do avesso, nada faz sentido, em que sentimos que não merecíamos o desenrolar das situações de determinada forma, que estamos sozinhos numa luta inglória e desigual… faz parte do processo! E, também por isso, é que a jornada nos vai dar um gozo especial.

Este enquadramento para partilhar convosco uma preocupação…

Se nós, simples pessoas, não o conseguimos fazer proficientemente, como é que, na qualidade de gestores de pessoas, vamos conseguir conceber práticas que fomentem estes comportamentos positivos nos nossos colaboradores e, enquanto líderes organizacionais, vamos incentivar as nossas pessoas a colocá-los em acção?

Estamos sempre tão ocupados, com agendas repletas de assuntos e compromissos em curso, que nos esquecemos que, tal como temos que dar atenção à nossa família e amigos, sob pena de agastar as nossas relações pessoais, essa preocupação deve estar também presente com os nossos colaboradores, pois estes também precisam de ser ouvidos, precisam de partilhar as suas preocupações, expectativas, necessidades e, sobretudo, precisam de suporte no seu processo de desenvolvimento pessoal que, se bem conduzido, pode ser uma enorme mais valia para a organização.

Tal como nós, também eles têm vidas preenchidas… tal como nós, também eles têm preocupações e receios… tal como nós, também eles precisam de “um empurrão”, de quem acredite neles e que os incentive a ser a sua melhor versão… tal como nós, também eles merecem uma oportunidade… e nós temos essa responsabilidade!

Nessa medida, na minha opinião, e para mais num ano em que tudo continua tão estranho, a humanização das organizações e dos processos, designadamente os de recursos humanos, têm que assentar na empatia, na atenção, no cuidado para com o outro, o próximo, o nosso colega.

Temos sobretudo que assegurar relações de confiança!

Imaginem o que é trabalharmos, a fio, numa empresa em que não temos espaço / tempo / interlocutores com quem falar, com quem possamos partilhar ideias, sugestões, projetos…

Imaginem o que é termos como chefia direta alguém que só espera de nós a mera realização das tarefas que nos delegou e a níveis de mínimos olímpicos…

Imaginem que passamos a maior parte do nosso dia a executar sem perceber o significado, sem qualquer ligação emocional com o que fazemos…

Imaginem que os nossos momentos de lazer são utilizados apenas a aproveitar para desabafar com as nossas pessoas mais próximas as maleitas da alma… imaginem uma vida profissional sem significado…

Certamente não gostaríamos de trabalhar numa empresa assim e, certamente, não queremos ser nós os responsáveis por semelhante cultura de gestão. Por isso, temos que assumir o propósito, definir a estratégia, não ter medo de encabeçar este agitar de águas, sensibilizar os decisores, credibilizar os processos, ganhar a confiança das pessoas… são tantas as coisas para fazer… é tempo de agir!

E não temos que o fazer de forma solitária… temos que envolver as nossas pessoas, otimizar as suas competências, aproveitá-las para um projeto comum, uni-las em torno de uma visão partilhada e sobretudo de um sentido de missão.

Para isso precisamos estar bem connosco… sim, 2020 foi um triste fado… mas já passou! 2021 começou novamente sombrio, mas está na altura de acreditar, de fazer concretizar, de mobilizar, de criar relação… de partir de nós para os outros… de ter consciência que temos o dever, enquanto líderes organizacionais, de retribuir as oportunidades que nos foram sendo dadas e, enquanto profissionais de gestão de pessoas, de criar essas oportunidades para quem tem atitude alinhada com o desafio!

Não nos podemos conformar com este estado de alma amorfo que impera atualmente… temos que procurar ser tão flexíveis, ágeis e resilientes quanto a sociedade, as organizações e as nossas pessoas precisam! E, para isso, precisamos acreditar que aqueles planos à meia-noite de cada ano fazem sentido, porque vamos lutar para que sejam concretizados… nós precisamos de acreditar nisso e os nossos colaboradores precisam também, e cada vez mais, que acreditemos e que criemos condições para que eles mesmos continuem e acreditar…

Se continuarmos pelas intenções e pelo “gostava tanto que”, nunca vamos ser bem-sucedidos! As oportunidades para concretizar os sonhos dão um trabalho imenso, mas, no final, valem sempre a pena!

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