É preciso amar as pessoas tóxicas, mesmo não gostando

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No dia a dia, é comum eu receber a seguinte pergunta: no meu trabalho, há alguém que é notavelmente tóxica. Ela mente, manipula, agride com as palavras, gestos, olhares… A relação com ela é insuportável para quase todos, principalmente para mim. O que devo fazer?

A minha resposta, na maioria dos casos é: ame, mesmo não gostando. Claro, depois disso, sempre recebo outra pergunta: o que isso significa?

Ninguém é mau porque quer, todos estão, de uma forma ou outra, buscando proteção, reconhecimento e segurança em um mundo que ataca constantemente o ego e a segurança psicológica das pessoas. Trabalhar no mundo corporativo é sempre um desafio, algo trabalhoso.  Afinal, não escolhemos quem estará ao nosso redor, nós simplesmente somos contratados e, de uma hora para outra, estamos rodeados de culturas, formas de vida e formações totalmente diferentes das nossas, o que é muito positivo, se você souber lidar.

O que muitos não levam em consideração é que também há, no mesmo ambiente, diferentes traumas, decepções, frustrações, marcas deixadas pela vida e experiências. Tudo isso molda o nosso jeito de ser e comportamento. Com base nisso é que podemos repetir: ninguém é mau porque quer, todos estão, de uma forma ou outra, buscando proteção, reconhecimento e segurança em um mundo que ataca constantemente o ego e a segurança psicológica das pessoas. Nesse contexto, eu perguntaria: o que é ser mau?

Freud, o pai da psicanálise, dizia que toda vez que o ego se sente ameaçado, lança algum mecanismo de defesa, geralmente um comportamento para proteger o indivíduo: negação, alienação, agressividade, mentira… É aqui que se encontra a chave para podermos amar, mesmo não gostando. Se conseguirmos perceber os sinais ao nosso redor e notar como as pessoas podem estar sofrendo e precisando de ajuda no ambiente de trabalho, talvez possamos compreender e, mesmo não gostando, amar, o que significa não julgar, estender a mão, ser paciente, oferecer auxílio, não se ofender e estar próximo. Tudo isso faz parte do cotidiano no trabalho, sim, e não podemos ignorar o fato de que influencia nos resultados de uma organização. Afinal, todos temos cargos, mas somos, antes, seres humanos e damos menos ou mais resultados de acordo com o que podemos oferecer naquele momento.

Amar não é amor. O amor é um sentimento, isso você não é obrigado, de forma alguma, a sentir. Amar é um verbo que, como todos os outros, requer ação e isso sim está nas suas mãos, é uma decisão.  Ame, mesmo não gostando, e você vai ver a relação melhorar gradativamente. A velha história de “dar a outra face” parece romântica, mas constrange positivamente muita gente. O homem que fez isso, hoje, possui bilhões de seguidores pelo exemplo, sem levantar sequer uma mão contra quem lhe fazia mal. Você não precisa ser um santo para dizer “eu os perdoo, pois não sabem o que fazem”, basta saber o que já pontuamos: toda vez que o ego se sente ameaçado, lança algum mecanismo de defesa, geralmente um comportamento para proteger o indivíduo. Ninguém, na prática, sabe ao certo o que faz. Se você conseguir se distanciar da confusão de sentimentos em que a maioria está envolvida e olhar as coisas com inteligência, razão e sensibilidade emocional, terá uma bela missão nas organizações, a de pacificar ambientes e solucionar conflitos. E como precisamos disso…

Líderes são assim. Talvez você possa até ser um líder.

Ame, mesmo não gostando.

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