Entrevista a Rita Ferraz da Costa, Administradora do Ferraz Lynce

O Ferraz Lynce é uma empresa familiar quase centenária “Estamos, já, na quarta geração”. Falámos com a sua Administradora Rita Ferraz da Costa sobre o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido na farmacêutica. A pandemia dificultou, em geral, todas as empresas e o trabalho de gestão teve de lidar com desafios complexos, mas podemos dizer que o Ferraz Lynce foi exemplar na sua atuação.

comunicaRH – Pode falar um pouco sobre o Ferraz Lynce e o trabalho quem vem a desenvolver como Administradora?

Rita Ferraz da Costa (RFC) – O Ferraz, Lynce, Especialidades Farmacêuticas, S.A. é uma empresa familiar de distribuição de medicamentos, MSRM, MNSR, dispositivos médicos, suplementos alimentares e MTBP, quase a celebrar 100 anos de mercado, fundada em 1924.

Estamos, já, na quarta geração, temos vindo, sempre, a trabalhar com o propósito de privilegiar a saúde e o bem estar da população, de forma ética, rigorosa e com qualidade.

Actualmente somos uma empresa pequena que conta, internamente, com uma equipa composta por um Director de Marketing, um Gestor de Produtos, uma Directora Técnica, um Consultor Científico, uma Web Designer e uma Secretária de Direção. No exterior, um Chefe Nacional de Vendas, onze DIMs e cinco DIFs.

Temo-nos, ao longo de todos estes anos, adaptado bem às recorrentes adversidades, somos atentos e já temos conseguido, por isso, antecipar soluções minimizando as consequências.

O trabalho deve ser feito com observação, análise e decisão, deve sustentar-se na confiança, no exemplo e no respeito para que tudo flua da melhor forma e, para que em situações difíceis haja união e solidez, abana-se menos.

O acompanhamento diário e objectivo do desempenho, do cumprimento e dos resultados permite, a quem dirige e a quem é dirigido, uma relação de proximidade e de confiança, determinante no sucesso da gestão. Todos gostamos de sentir que correspondemos, ou até que superamos os objectivos, desafios que nos são confiados, é gratificante!

Temos uma política de incentivos transparente, ambiciosa e exequível. Gostamos de processar prémios!

comunicaRH – Lidaram de forma muito eficiente com esta pandemia. Quais foram os fatores do sucesso do vosso plano de contingência?

RFC – Como factores de sucesso posso referir a ponderação, a calma e o respeito pela situação de cada um e de todos. O que conta é a forma como se faz, o conteúdo foi-nos imposto.

Adoptámos o regime de tele-trabalho, criámos as ferramentas necessárias, rapidamente, e as pessoas sentiram-se, dentro do possível, tranquilas.

Ao nível do trabalho interno, foram feitas reuniões diárias e muitas, muitas vezes bem mais do que uma, para garantir que tudo estava a ser acautelado.

A nível das vendas, por estarmos há muito no mercado e como deve ser,  temos uma relação muito próxima com muitos dos nossos clientes, médicos e farmácias, o que nos tem permitido  continuar a trabalhar, obviamente com resultados diferentes, piores, não só por isso mas, principalmente, porque o mercado parou. Durante dez semanas as visitas, quer ao médico, quer à farmácia foram feitas via Web. Desde Junho que estamos a conseguir a visita presencial.

Aproveitámos para reforçar as formações dos produtos, formações em farmacovigilância, formação em vendas on line e ainda “team building em tempo de pandemia”.

comunicaRH – Tinham todos os meios ou não conseguiram aplicar todas as medidas que desejavam?

RFC – Podemos dizer que sim. Aqui, o principal ”meio” foi, e é, ninguém querer baixar os braços! Foi muito duro ter a força de vendas a “trabalhar de casa”, para todos! O mês de Maio foi um mês muito, muito fraco e preocupante, contudo aguentámo-nos sem recorrer ao Lay off.

comunicaRH – A liderança mudou o seu mindset em relação à forma como gerir a empresa e as pessoas? Que lições retiram?

RFC  – Procurámos, e continuamos a procurar, tirar ensinamentos construtivos e positivos desta situação, tão inesperada e devastadora. Nesse sentido, sinto que a confiança na organização, o brio no trabalho e o respeito pelo mesmo são notórios. Sinto também que já se observam melhorias na “afinação” dos processos, nas reuniões com a força de vendas e nas ferramentas informáticas no sentido de tornar tudo mais “rico” e eficaz.

comunicaRH – Como foi a atuação e a importância da área de recursos humanos?

RFC  – Os recursos humanos tiveram um papel determinante. Comunicaram de forma clara e objetiva dando a conhecer, a todos, as linhas a que estamos sujeitos e empenhados em cumprir.

comunicaRH – Um olhar sobre o futuro, o que se fica, o que volta ao “normal” [e o que é preciso criar]?

RFC  – Relativamente ao futuro, penso que 2021 vai ser ainda um ano atribulado em termos de saúde pública mas que em 2022 tudo começará a melhorar. Haverá já um grande número de pessoas vacinadas e só isso terá um impacto muito positivo em todos, que se reflectirá num funcionamento mais “normal” do todo.

Aprendemos a trabalhar de um modo novo, com vantagens e desvantagens e, essa aprendizagem é replicável sempre que necessária, já sem correrias. Difícil, agora e daqui em diante, é e será aceitar retrocessos, gostamos de andar para a frente, para a frente é que é o caminho, toca a marchar no bom sentido!

comunicaRH – O que é preciso criar?

RFC – É preciso mais do quem nunca, inovar, diversificar, aumentar o portfolio, exportar, trabalhar bem e, acreditar que pelo menos o necessário está a ser feito, nunca esquecendo que poderá não ser suficiente!

Seria muito gratificante ver os resultados estáveis, e quem sabe a crescer, já em 2022! Vamos fazer todos por isso!

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