Ana Patrícia Correia

HR Manager Klöckner Pentaplast

Se há uns anos ter um emprego seguro e um salário estável era suficiente para que os colaboradores se sentissem satisfeitos, actualmente só isso já não chega.

A felicidade e bem-estar no local de trabalho é uma preocupação cada vez maior. O foco crescente na felicidade organizacional começa a pressionar as empresas a reconhecer a sua importância na estratégia corporativa, uma vez que tem impacto directo nos resultados da organização. De acordo com Timothy Sharp, fundador e Chief Happiness Officer do The Happiness Institute, na Austrália, “colaboradores felizes são melhores colaboradores. Locais de trabalho positivos têm níveis mais elevados de envolvimento e isso tem um impacto directo no desempenho e produtividade, na inovação e criatividade, no trabalho em equipa e na colaboração. Organizações positivas atraem e retêm de forma mais eficiente e, em última análise, tudo isso se traduz em melhores resultados e maior lucro.”

Hoje, numa sociedade onde a tecnologia e a inovação são fundamentais, o bem-estar e a felicidade dos colaboradores deve ser essencial para o ADN da organização e, embora a empresa tenha o dever de criar as condições para potenciar a felicidade, esta tarefa não é responsabilidade do CEO, do HR Manager ou do Chief Happiness Officer, mas sim de TODOS os indivíduos da organização. A participação e o envolvimento de cada elemento é fundamental!

Todas as organizações são únicas e diferentes: a cultura, o nível de maturidade, o mercado onde se insere, a área onde actua, as dinâmicas entre os indivíduos e, por isso, cada empresa tem de descobrir o que é melhor para ela, definir uma estratégia e implementar um plano que contribua para criar um ambiente de trabalho motivado pela felicidade onde os colaboradores se sintam valorizados, que promova o desenvolvimento profissional e garanta o bem-estar e a saúde mental no local de trabalho. Não existe uma fórmula mágica e muito menos devemos adoptar uma abordagem one-size-fits-all  mas, com algumas etapas simples, não há razão para que não possa criar um local de trabalho mais feliz:

Garantir os princípios básicos

Conhece Maslow e a sua teoria da hierarquia das necessidades? De forma resumida: explica a hierarquia das necessidades humanas e argumenta que, conforme atendemos às necessidades mais básicas (base da pirâmide), desenvolvemos essas necessidades e desejos mais elevados (topo da pirâmide).

É fundamental entender que existem requisitos básicos para se ser feliz no trabalho, como salário justo e competitivo, estabilidade no emprego e ter os recursos necessários para desempenhar a tarefa. Se a base é boa, o potencial de melhoria é infinito.

Ouvir os colaboradores

Para entender o que é que os colaboradores precisam para serem felizes, é preciso ouvi-los. É a única forma de descobrir quais são as suas expectativas, ideias, sugestões, de saber quando algo não está a correr tão bem quanto deveria e o que pode fazer para melhorar.

Valorizar o trabalho diário

Nada nos desmotiva mais rapidamente do que sentir que o nosso esforço não é apreciado. É fundamental garantir que os colaboradores sabem que o seu trabalho é importante e reconhecido.

Conceder liberdade e autonomia

Acredite na responsabilidade dos seus colaboradores, exerça um voto de confiança e permita que eles façam a gestão do seu tempo, do seu espaço de trabalho e das suas ideias com liberdade e autonomia.

Apoiar o crescimento e desenvolvimento

O trabalho pode e deve ser uma fonte de realização pessoal em todos os níveis. Para sentir essa satisfação, os colaboradores precisam de ter espaço para crescer e aprender. Criar e promover oportunidades de crescimento e desenvolvimento é um valor diferencial na atracção e retenção de talentos.

Promover o Work-Life Blend

Ao contrário do horário de trabalho restrito e rígido, uma empresa feliz precisa reconhecer a importância de um equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal. Detalhes como horários de trabalho flexíveis, home office ou dias de férias extra fazem com que os colaboradores sintam que a organização se preocupa com eles enquanto indivíduo e aumenta os níveis de satisfação.

Criar um ambiente de trabalho positivo

Somos humanos e gostamos de nos conectar com outras pessoas, compartilhando momentos e experiências profissionais e pessoais. Não se trata apenas de produtividade e salário: os colaboradores devem divertir-se no trabalho. Tal implica criar momentos de descontração em que possam conviver uns com os outros, sem ter o trabalho como foco principal.

Incentivar o trabalho em equipa

Uma equipa unida e coesa é um sinal do ambiente da empresa. É como se cada elemento funcionasse, só por si, como um factor motivador para o todo e, ao mesmo tempo, a própria equipa trouxesse ao de cima o que de melhor existe em cada colaborador. Quando tudo flui, a produtividade e a felicidade aumentam naturalmente.

Capacitar os colaboradores

Quanto mais capazes e qualificados os colaboradores se sentirem em relação ao cargo que desempenham, mais energia emocional eles investem, mais envolvidos e satisfeitos se sentem no dia-a-dia e mais se empenham para que os objectivos sejam alcançados.

Viver os valores da organização

É especialmente importante ter valores claros que definam a empresa. Eles são os pilares da organização. Em outras palavras, não se trata apenas de definir os valores e afixá-los num quadro bonito na parede do escritório, mas sim, de os viver todos os dias, em todas as decisões e em todos os momentos. Não há nada mais poderoso do que liderar pelo exemplo.

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