Rosa Rodrigues

Profª Doutora ISG – Instituto Superior de Gestão (Business & Economics School)

Nas últimas décadas temos vindo a assistir a mudanças na envolvente organizacional como resultado da globalização, das novas tecnologias e de pressões económicas, políticas e sociais. Estas mudanças têm tido fortes implicações tanto na forma como as pessoas trabalham e encaram o trabalho, como na sua gestão, principalmente no que diz respeito ao planeamento e gestão das carreiras.

De forma a acompanhar estas alterações, o conceito de carreira tem vindo a evoluir gradualmente. A visão mais tradicional preconizava que embora a carreira fosse da responsabilidade do colaborador, era essencialmente planeada e gerida pela organização a que pertencia. Por outro lado, a perspetiva contemporânea defende que a carreira pode ser entendida como uma sequência de experiências de trabalho ou mais especificamente, uma sequência de funções, papéis ou atividades profissionais que uma pessoa desenvolve, ao longo do tempo, numa ou mais organizações.

Neste âmbito, começa a ser questionado se os gestores de recursos humanos terão perdido as funções inerentes à gestão da carreira dos indivíduos. A resposta a esta questão é negativa, porque apesar de ser o próprio a construir a sua carreira, cabe à organização proporcionar oportunidades que facilitem o desenvolvimento da mesma.

Começa, assim, a constatar-se que o papel dos gestores de recursos humanos, no século XXI, não é o de gerir as carreiras, mas sim o de assegurar oportunidades de desenvolvimento contínuo com vista à construção do percurso de carreira dos indivíduos.

Em tempos não muito longínquos, qualquer colaborador tinha como objetivo de carreira servir a mesma organização durante todo o seu percurso de vida ativa. Atualmente, o cenário é diferente, pois o que é valorizado são as oportunidades de crescimento pessoal e profissional, que permitem melhorar ou adquirir novas competências que possibilitem maior flexibilidade e adaptabilidade para ultrapassar os desafios profissionais com que os colaboradores se deparam.

Neste contexto, as organizações deixam de garantir a segurança e a estabilidade e começam a providenciar oportunidades de desenvolvimento, sendo esta a grande diferença entre as organizações tradicionais e as contemporâneas. Deste modo, é fundamental ter presente que a organização necessita de se adaptar às mudanças, porque só quando possuem uma visão abrangente do papel dos seus colaboradores, deixam de os ver como simples recursos com determinadas competências para executar as tarefas e alcançar os objetivos da organização, para passar a considerá-los os seus ativos mais importantes.

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