Filomena Simões

Assistente Social e Gestora de Pessoas

Para mim, gostar de pessoas é algo muito simples e natural: sou uma apaixonada por pessoas desde que me conheço e não consigo rever-me sem elas.

Por outro lado, desde muito cedo que aprendi a explorar o mundo ao meu redor, em círculos cada vez mais excêntricos, e a interagir com diversas culturas. Julgo que já sabia que o mundo ia ser cada vez mais global e sem fronteiras. Daí a querer seguir uma carreira ligada a pessoas foi um passo natural. Mas eu queria mais, queria andar pelo mundo, conhecer várias culturas e vivê-las intrinsecamente. Vivo, actualmente, em Moçambique, mas já vivi em Angola, em Macau e, embora por poucos anos, também em Portugal.

Desde cedo adoptei um termo que me é muito querido: multiculturalidade, que significa, literalmente, uma diversidade de culturas presentes num mesmo espaço, provenientes de várias regiões e que trazem consigo uma multiplicidade de histórias, experiências de vida, valores e princípios que contribuem para a criatividade e inovação. Parece algo tão fácil de experienciar; bastaria apenas aceitar o que a nova cultura nos traz de diferente da nossa, sem juízos de valor ou preconceitos.

Não obstante, porque razão a realidade se nos apresenta tão diferente nestes contextos?

Foi assim que descobri que esta vivência nem sempre é tão linear como à partida poderia parecer, e daí os choques culturais. De facto, e lamentavelmente, a realidade é marcada mais por choques culturais do que por formas saudáveis de se vivenciar a diversidade.

A cultura pode ser um factor motivador ou um obstáculo ao clima de cooperação entre os membros de uma equipa. A forma como será conduzida a interacção entre as diferentes culturas presentes numa organização ditará a implementação de uma dinâmica interna, de forma a evitar-se os choques culturais.

Numa organização, a dificuldade de um determinado grupo entender e aceitar uma cultura diferente da sua consiste na barreira do etnocentrismo, ou seja, toma-se um determinado modo de vida como valor cultural referencial e excluem-se os diferentes modos de vida: é a concepção de que uma cultura é superior às outras.

Para ganharmos todos num contexto de cooperação em alianças estratégicas, cada elemento da organização tem de ter consciência que, apesar das diferenças culturais estarem presentes, estas devem ser firmadas como preceito de inovação e não como estímulo de conflitos para a organização.

Assim, pois, uma comunicação transparente, o respeito pela diversidade e a aceitação das diferentes culturas presentes numa organização humana promovem um ambiente voltado para a cooperação, a inovação e a eficiência.

É importante ter bem presente que a gestão da multiculturalidade organizacional é um processo dialéctico contínuo que retracta a interacção de diferentes culturas e não algo fechado e definitivo.

Com efeito, devemos estimular projectos (seminários, workshops, momentos mais descontraídos entre as equipas) que propiciem a integração cultural e nos quais a diversidade seja vivida e valorizada, promovendo a inclusão no contexto da coabitação organizacional.

A este respeito, importa considerar que não é suficiente apresentar as diferenças que todos sabemos que existem e identificar possíveis pontos de conflito para que se alcance um ambiente de cooperação; precisamos ir mais além e cultivar a abertura mental para aprender e a tirar dessa diversidade o que cada cultura traz e contribui para o negócio como um todo e para um saudável e sustentável ambiente de cooperação.

A todos nós, gestores de pessoas, num mundo cada vez mais global, cada vez mais próximo, temos o desafio de construir empresas promotoras da diversidade que se preocupam em incluir e aceitar quem vem de fora. Porque o outro somos nós mesmos reflectidos.

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