Industrialização 4.0 – O Novo Papel do RH estratégico

Arnaldo Halt na comunicaRH

A modernidade finalmente está chegando? Quais os impactos para o RH das empresas?

O isolamento social ao redor do mundo motivado pela pandemia transformou uma Modernização Tecnológica numa verdadeira Revolução. É bem verdade que a dita Industrialização 4.0 já estava bem adiantada em vários países, mas, por aqui, muitas empresas sequer cogitavam vendas online! A adoção do home-office, a implantação do Market-place como ferramenta de vendas, o uso do RPA para facilitar a integração de sistemas, são pequenos exemplos de  ferramentas que se tornaram realidade da noite para o dia tentando minimizar os impactos econômico-financeiros da crise.

Alguns termos conectados com a tecnologia tem sido cada vez mais frequentes na literatura cotidiana. Seguem abaixo os conceitos citados no título de forma a facilitar o entendimento dos mesmos e das respectivas diferenças que existem entre eles:

 A Digitização é uma palavra que vem do termo digitalization, em inglês. Ela se refere ao processo de transformar o negócio em digital, o que exige mudanças no seu modelo de negócios e fluxo de valor. Para isso, a organização se aproveita de novos processos, sistemas, ferramentas e meios de colaboração, mudando a sua forma de atuar e tornando os processos mais inteligentes.

A Digitalização (muito confundido com o termo acima) trata apenas da passagem de dados físicos para o formato digital.

A Transformação Digital (digital transformation) é um processo no qual as empresas se utilizam do que há de mais tecnológico na atualidade para aumentar a produtividade e, consequentemente, potencializar os seus resultados. Ela consiste em um processo amplo, no qual a tecnologia passa a ocupar um lugar central na organização.

Industrialização 4.0 – Trata-se da quarta Revolução Industrial, que se baseia e se impulsiona pela digitalização num primeiro nível, pela digitização, pela integração de cadeias de valor vertical e horizontal e também pela digitização de ofertas de produtos e serviços, bem como desenvolvimento de novos modelos de negócios digitais e plataformas de acessos para os clientes.              

Toda Revolução, quando ocorre de forma orgânica, sistematizada e devidamente planejada (dentro do possível), permite que as pessoas e os processos se preparem e se estruturem para maximizar os efeitos positivos e minimizar os riscos e consequências. Porém, quando este movimento acontece forçosamente, traz grandes desafios para a gestão e para os colaboradores. No Brasil e na maior parte dos países em desenvolvimento, este movimento surge de forma forçada e com seus respectivos riscos potenciais inerentes.

Será que teremos uma legião de desempregados com este movimento? Essa é uma das perguntas clássicas da humanidade desde a primeira Revolução Industrial. A redução de quadros e readequação de times sempre fará parte do exercício de gestão, porém, ao mesmo tempo, responsabilidade social das empresas e dos empresários será cada vez mais colocada à prova.

A conclusão é que a transformação tecnológica não veio para substituir o homem no processo produtivo, mas sim, para modernizar, aperfeiçoar as operações, maximizar a satisfação dos clientes e, obviamente, reduzir custos. A redução de custos não significa necessariamente uma demissão em massa de equipes operacionais, mas sim uma busca pela reutilização mais eficiente e eficaz dos recursos humanos. A capacitação dos times operacionais e o desenvolvimento das lideranças e das equipes de gestão serão o elo condutor e potencializador das mudanças e conduzirão as empresas nessa onda que veio para ficar.

Uma Revolução pressupõe uma mudança de 180 graus em tudo e em todos que, por sua vez, precisam entender o caráter das mudanças, as novas entregas, as novas responsabilidades ou mesmo como integrar e comprometer a todos neste novo momento.

Antes de mais nada, estamos enfrentando uma verdadeira Revolução nas Relações Humanas! 

Em algumas pesquisas realizadas, sem caráter estatístico, levantou-se uma relação dos maiores desafios oriundos da Revolução 4.0:

  • Falta de cultura digital e de treinamento;
  • Falta de talentos;
  • Necessidade de grande investimento financeiro;
  • Segurança e privacidade de dados;
  • Incerteza em relação aos benefícios econômicos dos investimentos digitais;
  • Os parceiros de negócios não são capazes de colaborar em torno de soluções digitais;
  • Propriedade intelectual.

Entre os 7 itens listados, percebam que 2 deles (os dois primeiros) estão diretamente relacionados com Gestão de Recursos Humanos.

A área de Recursos Humanos passa a ter um papel decisivo no sucesso do processo de mudança, recheado de desafios. O maior desafio da gestão da empresa e, por conseguinte, do time de RH, será conseguir, rapidamente, adequar o time interno e a cultura da empresa em torno de uma visão de negócio totalmente revolucionária, ou seja, REDIRECIONAR a empresa para algo completamente diferente do que existia ate então.

Desde a primeira revolução industrial temos assistido uma busca incessante da substituição das tarefas manuais e repetitivas ou que pressupõe o uso de força excessiva por máquinas. Neste quarto movimento revolucionário mais uma vez buscamos algo similar: substituir as tarefas repetitivas e o trabalho braçal (mesmo que já utilizem algum sistema informático) por novos sistemas mais independentes ou mesmo o uso de IA, ou seja, inserindo um conteúdo de tecnologia mais “inteligente” no contexto.

Porém, mesmo com o uso das tecnologias mais avançadas, ainda não foi possível substituir os gestores, os lideres, os empreendedores que desempenham tarefas criativas e/ou inovadoras.  A mente humana nesse aspecto ainda é insubstituível, pois o poder de inovar continua pertencendo aos homens e não às máquinas, sobretudo em relação à escolha do que se pode ou deve automatizar, e aí está o papel central da Gestão 4.0 e do RH 4.0. Trata-se, de fato, do grande desafio do momento e que todos os gestores vão enfrentar (ou já estão enfrentando). Por essa razão, cabe aos líderes atualização permanente sobre  as novas tecnologias vigentes, e, ao mesmo tempo, profunda integração com os demais times da empresa, entendendo cada vez mais o negócio de forma que possam interferir nos processos e momentos adequados.

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1 Response

  1. Maurício diz:

    Excelente reflexão e constatação das Relações Humanas nesse ambiente atual das Corporações!!! Achei não apenas atual como realista o suficiente, para nos dar a trilha, o caminho. Parabéns Arnaldo!!!

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