Carlos Sezões

Gestor e Consultor

O paradigma da organização síncrona e centralizada, em que todos partilham o mesmo local físico, tempo e informação, já não corresponde à realidade. Muitos sectores e áreas de negócio já praticam o trabalho remoto há mais de uma última década: consultoria, tecnologias de informação, outsourcing de processos, indústrias criativas, entre outros. A pandemia que ainda persiste entre nós veio trazer essa experiência à grande maioria dos profissionais. Autogestão, gestão das prioridades e colaboração virtual tornaram-se competências mandatarias que muitos se viram obrigados a desenvolver em nos últimos meses.

Para quem lidera equipas, o desafio foi enorme. Mudar de um estilo de “comando e controlo” presencial para um modelo de liderança à distância não foi fácil. Muitos ainda se debatem como tornar a gestão da sua equipa, agora a trabalhar remotamente, mais eficiente e eficaz.

A resposta a esta questão está, naturalmente, na Liderança – seu modelo, seus estilos, rituais e práticas regulares.

E assentará, claro, nos recursos que um Líder aplica para alinhar, mobilizar e desenvolver a sua equipa – que serão, essencialmente, o seu tempo, talento e energia.

Em projectos de consultoria de mudança cultural, otimização de processos e executive coaching tenho, nos últimos tempos, lidado com esta dimensão. Fruto desta experiência aqui deixo 5 sugestões sintéticas, hábitos de liderança que podem ser recompensados com níveis superiores de performance e resultados:

1. Reforçar a ligação entre Estratégia e Execução

Invista tempo em explicar, a todos e a cada um, a estratégia definida e como as várias tarefas/ iniciativas da equipa estão a contribuir para o resultado global; o novo paradigma de liderança pressupõe foco nas metas e autonomia nos processos, pelo que este esforço incrementará condições para uma melhor auto-gestão e tomada de decisões de cada profissional;

2.Incrementar níveis de colaboração e networking

No seio da equipa e nas relações inter-equipas, incentivar um melhor conhecimento mútuo e relações de confiança que possam gerar colaboração frutífera; na ausência de todos, numa boa proporção do tempo, no espaço físico da empresa, estas relações serão fundamentais para um trabalho remoto eficaz;

3.Definir rotinas e rituais de interação online

O espaço de sociabilidade online é essencial para a) a eficiência dos processos, b) a coesão e alinhamento da equipa e c) combater riscos de solidão e isolamento, inerentes ao trabalho remoto; kick-offs diários ou semanais, flash-meetings simples ou happy-hours de descontração da equipa são algumas das iniciativas com impacto, com vista a estes objectivos

4.Reconhecer e criar uma cultura de celebração

O hábito mais simples e rentável de liderança e, simultaneamente, o mais facilmente esquecido; reconhecer o bom trabalho (seja numa call ou num breve whatsapp) não custa e estimula o sentimento de pertença e motivação de cada membro da sua equipa. Se o reconhecimento é um processo individual, celebrar é um processo colectivo; envolva, mesmo nas quick-wins a sua equipa na celebração; tal dar-lhes-á reservas de energia suplementares para os desafios destes tempos;

5.Auscultar, regularidade, recursos e equilíbrio pessoal-profissional

Há que perceber se, em cada momento, os elementos da equipa têm os recursos-chave para o seu trabalho e resolver eventuais bloqueios (tecnológicos ou outros); e, com empatia e flexibilidade, ser coach e mentor em matéria de equilíbrio nas dimensões individual-familiar-profissional.

Com estes hábitos bem trabalhados e com um mix sustentável de trabalho remoto/ presencial (a tendência do futuro), estou certo que um líder conseguirá acrescentar valor a uma equipa e torná-la cada vez mais eficaz.

Deixe uma resposta