Liderar em tempos de pandemia

Liderança - Bruno Fraga

Face à crise em que nos encontramos as organizações estão a adotar medidas e estratégias com impactos significativos no seu desenvolvimento económico, social e profissional, independentemente da sua dimensão e do seu sector de atividade. Para todos aqueles que lideram, chefiam e gerem pessoas, esta é certamente uma fase desafiadora. Há uma constante necessidade de reinventar as formas de fazer, adaptar, reduzir ou até suspender, a atividade da sua equipa, ajustando-se às novas realidades.

A questão que se impõe é: como é ser líder num contexto tão incerto e exigente?

À primeira vista e considerando que tudo isto é novo, haverá espaço para o desenvolvimento das lideranças, não só pela necessária integração da sua ação com os diversos departamentos, propiciando novas sinergias dentro das organizações, mas também pela obrigatoriedade de criar e desenvolver ferramentas que permitam a proteção e o bem-estar da organização e dos trabalhadores.

No entanto, não podemos esquecer que é uma fase bastante exigente para quem lidera. É necessário continuar a cumprir com as medidas decretadas pelos organismos governamentais, mantendo a atividade da organização, mesmo com o acesso limitado aos recursos humanos e financeiros. Para além de que, é exigido aos gestores quem cuidem da sua organização, dos seus colaboradores e, igualmente, de si próprios, garantindo a segurança de todos.

Neste sentido, sugere-se um conjunto de recomendações à ação dos líderes e gestores, que facilitará o desenvolvimento das suas equipas, tornando-os a todos agentes de mudança:

Agir em integração direta.

Em momentos de crise, todos os elementos que constituem uma organização têm o potencial de criar ferramentas, desenvolver competências e salvaguardar o seu bem-estar. Os líderes devem agir em integração direta com os diversos departamentos e elementos que constituem a sua organização, mas também com os restantes líderes. Falamos, a título de exemplo, do departamento de recursos humanos, dos psicólogos organizacionais, dos técnicos de segurança e saúde no trabalho, dos gestores de recursos humanos e do departamento de sistemas de informação. O objetivo é que esses gestores saibam qual o plano de ação definido na organização e quais as melhores formas de solucionar os novos problemas diários que vão surgindo.

Liderar através da compreensão, do apoio e do cuidado.

Muitos colaboradores de diversos tipos de organizações ainda se mantêm em teletrabalho, o que por si só, acarreta desafios para todos os envolvidos. A sensação de isolamento dá lugar ao medo e à ansiedade, que surgem de forma gradual entre os trabalhadores, atingindo até as equipas. É fundamental que os líderes estejam disponíveis, exercendo a sua atividade através da compreensão, do apoio e do cuidado.

A comunicação clara, objetiva e coesa assume um papel de destaque nesta fase. O gestor deve reconhecer os elementos na sua equipa que valorizam serem acompanhados com mais regularidade e aqueles que, por outro lado, procuram mais autonomia no desenvolvimento da sua atividade, evitando assim o aumento de check points desnecessários.

Deve ficar claro para quem é liderado, que os colaboradores são os principais e os melhores aliados das organizações, pelo que, mais do que nunca, os sucessos individuais e coletivos devem ser valorizados e celebrados.

Possibilitar a partilha de experiências.

Os trabalhadores devem ter a oportunidade de compartilhar as suas preocupações e contribuir com ideias para a tomada de decisão. Esta partilha de experiências e ideias, fomentam a confiança da equipa e diminui a sensação de solidão, fruto dos períodos prolongados de teletrabalho. Diversas perspetivas devem ser consideradas, pelo que o contributo de todos permitirá tomar decisões sustentadas por diversas fontes informativas. Os líderes e gestores devem criar na sua equipa, caso ainda não o tenham feito, um canal de comunicação onde os trabalhadores sintam a liberdade de propor ações de melhoria e a implementação de ideias, ou até propor atividades fora do ambiente profissional, como recomendações de livros, filmes ou restaurantes, por exemplo.

Potenciar o bem-estar.

O teletrabalho permite que as organizações mantenham a sua atividade, com as devidas limitações, mas impõe um conjunto de desafios, exigências e necessidades de adaptação. Por um lado, as fronteiras entre a vida profissional e pessoal, que contribuem para a nossa saúde psicológica, podem esbater-se e criar um conjunto de dificuldades. Por outro lado, as condições de trabalho em casa, no que diz respeito à ergonomia e à gestão do tempo, podem não ser as melhores, sendo recorrente assistir ao aumento do horário de trabalho e à dificuldade em gerir o espaço físico pessoal e profissional. Os líderes devem estar atentos aos riscos de saúde física e mental relacionados com teletrabalho, pelo que deverão assumir a posição de agentes potenciadores da melhoria da qualidade do trabalho, propondo ações de formação sobre gestão de tempo e fornecendo, quando necessário, material de escritório da organização, aos trabalhadores que não possuam as melhores condições de trabalho em casa.

Estas ações de melhoria propostas à atividade dos líderes, gestores e chefias, coloca em discussão um tema que tem surgido com grande impacto nos últimos tempos – a importância da saúde mental dos trabalhadores. É uma oportunidade de olhar para esta temática, não só como um dos efeitos da pandemia, mas também como um dos aspetos a desenvolver no futuro.

Mais do que nunca, as empresas devem garantir a segurança dos ambientes de trabalho, seguindo as recomendações impostas pelas autoridades sanitárias e de saúde pública, mas também fortalecer a educação dos seus colaboradores, no que diz respeito à segurança e à proteção pessoal, baseando-se em fatos e informações credíveis e reais.

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