Gustavo Mançanares Leme

Executivo de RH | Board Member

A gestão da carreira tem vindo a mudar. Nas gerações anteriores a valorização e crescimento vinha dos anos trabalhados para a empresa. Era normal passarmos a vida toda no mesmo local de trabalho. Hoje as coisas estão diferentes. A mobilidade é maior, as pessoas procuram mudanças e valorizam novos desafios. Até podem estar integradas em mais do que um lugar ou projeto ao mesmo tempo.

A mensagem é que temos de ser nós a tomar as rédeas das nossas carreiras e decidir o rumo que queremos dar, porque sem rumo, acabamos a remar no barco de outra pessoa indo numa direção que não é a nossa. Falámos com Gustavo Leme, autor do livro “O Acaso Não Existe” que deixou um convite e uma chamada de atenção para um tema que passa ao lado de muitas pessoas. No entanto todos temos de pensar no futuro da nossa carreira e criar os nossos objetivos.

Lançou recentemente um livro chamado “O Acaso Não Existe: ou você constrói a carreira dos seus sonhos ou alguém vai te contratar para construir a dele” o que podemos encontrar neste livro?

Gustavo Leme (GL): Mais do que um convite, uma chamada para refletir, o livro pretende tirar os leitores da zona de conforto. “O que o trouxe até aqui não o levará até onde você quer chegar”, destaca ele, que hoje trabalha com o propósito de levar pessoas a enxergar que está nas mãos de cada um o domínio da transformação de suas vidas. Neste ponto, ele até critica os modelos lineares de planos de carreira que até muito se fala e se pratica dentro das empresas, bem como o modelo de educação tradicional que insiste em não ensinar as pessoas a fazer perguntas e só decorar respostas. Segundo destaca que, cada pessoa é única, traz seus dilemas, seus sonhos, suas habilidades e capacidades para descobrir.

Assim, de forma simples e clara, em apenas 112 páginas, o livro compartilha reflexões provocantes para levar todos a se atentar para as grandes mudanças pelas quais passa o mundo corporativo e os diferentes mercados. Ensina estratégias simples e práticas para que o leitor possa potencializar as oportunidades que aparecem em suas vidas e perceber a importância da autogestão de carreira. Quando em uma entrevista de emprego alguém me pergunta, qual o plano de carreira que a empresa oferece, vejo o quanto tudo está errado, lembrando que a idade média de vida de uma empresa, com o dinamismo que mundo vem experimentando ao longo da última década, é muito menor do que a longevidade daquele profissional que está estreando na carreira profissional.

Qual foi a sua motivação para escrever este livro?

GL: Quando analisei exemplos de profissionais que tiveram ótima ascensão em suas carreiras, ficou evidente a importância que estes deram para estarem sempre conectados aos seus propósitos de vida; em seguir seus sonhos trabalhando naquilo que gostavam e acreditavam. Suas conquistas são consequências de ter aprendido a gerir de forma consciente seus planos de vida profissional, independentemente das empresas em que eles trabalharam. Afinal plano de carreira é plano de vida.

Como executivo de RH, notei que muitos colegas, dentro e fora das organizações em que atuei, não estão autogerindo suas carreiras, não tinham planos, sonhos profissionais definidos e nem sabiam para onde estavam sendo levados. Deixavam os seus planos de vida serem decididos pela empresa em que trabalham. Com isso, ficam presos ao paradoxo do sucesso e da estabilidade.

A partir deste contexto me motivei a escrever o livro “O acaso não existe” que traria reflexões, conceitos modernos, insights e ferramentas para apoiar os leitores na construção das suas próprias Plataformas de Carreiras e assim conduzi-los a um estágio maior de felicidade.

Nem todas as pessoas estão familiarizadas com o processo de autogestão de carreira. Que cuidados devemos ter quando fazemos a autogestão da nossa própria carreira?

GL: Acredito que autogestão de carreira começa com a estruturação de um plano reflexivo e na sequência deveríamos colocar os insights gerado no “papel”. Por isso, no final do livro criei uma ferramenta que ajudará o leitor nesta jornada de construção e que batizei-a de Plataforma de Carreira.

Os cuidados que devemos ter seriam:

  • Começar esta jornada não esquecendo do nosso porquê;
  • Ter clareza do que buscamos;
  • Saber que temos uma marca e que devemos zelar por ela;
  • Dar importância para quais aquisições devemos ter em nossa caminhada como: experiência, conhecimentos e networking;
  • Por fim, devemos saber qual a proposta de valor que entregamos a quem nos contrata.

Fala numa aprendizagem continua ao longo da vida, de que forma isto impacta a nossa carreira?

GL: Estamos inseridos em uma sociedade globalizada e a cada dia mais tecnológica, que nos impõe milhares de desafios. Por isso, precisamos estar preparados para nos adaptar às mudanças e também estar atento ao dinâmica acelerada das informações.

Diante deste contexto para nos mantermos qualificados e com empregabilidade, é fundamental entendermos a educação como um processo contínuo: o lifelong learning (até porque o ser humano a cada dia vive mais, e assim irá trabalhar por mais tempo e com prazer).

Essa mudança de perspectiva nos impõe quebrar a visão de que a educação limita o aprendizado aos sistemas escolares tradicionais — do ensino básico à pós-graduação — para compreendê-la como um processo no qual a aquisição de conhecimentos e habilidades ocorrem ao longo da vida e no dia a dia…

Estamos perante uma geração que já não trabalha toda a vida na mesma organização. São pessoas exigentes nos lugares que procuram para trabalhar. No futuro a autogestão de carreira vai deixar de ser das organizações para ser uma gestão de cada pessoa?

GL: Na minha opinião além das mudanças de gerações, as empresas estão mudando porque os hábitos e comportamentos dos seus consumidores e clientes também estão mudando com frequência. Isso impacta em mudanças de modelos de negócios, ainda mais com a introdução de tecnologia avançada de acesso a informações e de tomada de decisão com profundidade / precisão.

Na verdade mesmo que os profissionais queiram permanecer mais nas empresas, elas não vão durar muito. Pesquisas recentes mostra que o tempo médio de uma empresa atualmente é de 18 anos, pois muitas estão sumindo, surgindo, sofrendo processo de fusão com antigas concorrentes ou fazendo parte de conglomerados como a Amazon, Google e Alibaba.

Por tudo isso,acredito que a autogestão de carreira é um movimento de mindset de agora e não do futuro. Quanto mais as pessoas demorarem para entender ou enxergar esta perspectiva, mais atrasadas elas estarão. Ou você muda ou o mundo muda sem você.

Uma última mensagem sobre o seu livro.

GL – Construam a carreiras dos seus sonhos antes de ser contratado para construir a carreira dos sonhos de outra pessoa.

Link do livro.

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