O Saber não ocupa lugar – aprendizagem contínua

Aprendizagem - comunicaRH

Esta máxima popular, que todos já ouvimos muitas vezes, vai sendo percebido por cada um, ao longo do seu percurso de vida, de acordo com o que for esse percurso, com o contexto em que o mesmo se desenvolve, e com as expectativas que individualmente formos definindo.

Eu, por exemplo, nascido de uma família humilde, com mãe doméstica e pai motorista de camionetas, apesar de bom aluno, dificilmente poderia aspirar, na década de 60 do século passado, a um futuro académico muito avançado.

Era o mais velho de 4 irmãos e o único ordenado que chegava a casa dificilmente daria para colocar os filhos na Universidade. Poder ser empregado de escritório do VIOLAS (maior fábrica perto de casa, da COTESI e pertencendo aquele grupo bem conhecido) seria já uma conquista muito significativa.

A verdade é que veio o 25 de Abril, o ensino abriu-se mais e democratizou-se, fizeram-se muitos sacrifícios, fui trabalhar para pagar os estudos e lá consegui ir para o ensino superior. Bacharelato em Contabilidade e Administração (era mais rápido e permitia ganhar dinheiro mais cedo), depois licenciatura em Economia, Pós-Graduação em Management Superior, etc

Ao lado de tudo isto, foi-se acumulando uma experiência profissional muito diversificada, em Auditoria Externa, Auditoria Interna, Direcção Administrativa, Direcção Administrativa e Financeira, Aprovisionamentos, Controle de Gestão, Direcção Geral, Presidente de Administração.

E ao fim de quase 40 anos de trabalho, uma pergunta muitas vezes se me coloca, e que é a de saber se devemos privilegiar um saber mais generalista ou um saber mais especializado sobre um determinado tema, ou seja, se nos devemos preocupar mais em saber um pouco de cada coisa (inevitavelmente nunca sabendo aprofundadamente sobre nada), ou se nos devemos preocupar em saber muito sobre um determinado tema, podendo mesmo tornar-nos em experts sobre essa mesma matéria, discutindo-a em profundidade, mas assumindo que saberemos muito pouco sobre tudo o resto.

Esta dicotomia e estas decisões que nos são colocadas ao longo da vida, não têm respostas óbvias e podem até mesmo variar no decurso desse percurso. Pelas oportunidades que nos surgem, pelo contexto em que vivemos, e pelos objectivos que definimos para podermos ser felizes.

É cada vez mais frequente ouvir jovens qualificados, acabados de sair das Universidades, a falar numa grande vontade de serem especialistas em determinada área, sem sequer terem experimentado, ou sequer manifestarem vontade de experimentar outras coisas que, porque desconhecem, não imaginam se podem vir a ser os seus espaços de eleição.

A idade e os percursos de vida vão-nos moldando a personalidade e a visão que vamos tendo sobre as coisas e vamos passando a perceber melhor que às vezes surgem boas oportunidades em áreas que nunca imaginaríamos.

Naquela narrativa inicial que vos tracei sobre a minha história de infância, jamais poderia imaginar que um dia estaria envolvido na área comercial e a vender rolhas de cortiça na Califórnia, quando trabalhei para o Grupo AMORIM. Mas a verdade é que a oportunidade surgiu, resolvi agarrá-la, fiz isso durante alguns anos e fui muito feliz.

Vem isto a propósito de sermos capazes de manter a mente aberta, de estarmos atentos ao que se passa ao nosso redor e irmos buscando o melhor enquadramento possível para o nosso desenvolvimento profissional. E em condições ideais, tentarmos ser felizes.

Mas importa termos sempre presente que podemos não ter espaço para fazer de imediato aquilo para que nos preparamos e para o que estudamos, podendo mesmo ser necessário tratarmos de estudar algo diferente e prepararmo-nos para outra coisa.

Imaginemos, como mera questão académica e do ponto de vista teórico, que todos os jogadores da selecção nacional estabeleciam como objectivo serem exímios marcadores de livres directos.

Estudo apurado sobre trajectória da bola, distância da barreira, colocação do guarda-redes na baliza e treino intenso muitas vezes por dia. Mas…

Um verdadeiro especialista no balneário chamado Cristiano Ronaldo, com capacidades inatas para aquele gesto técnico, resultados conseguidos ao longo de anos que são capital de credibilidade, autoridade, etc.

O espaço na equipa e o contexto poderão aconselhar a um outro tipo de definição de objectivos se quisermos poder dar o nosso contributo, aprendendo a fazer outras coisas, ajudando o colectivo de outra maneira e buscando, no final, que o saber acumulado seja mesmo bem utilizado.

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