Oportunidades de gestão de RH em tempos de crise

Irene Graça na comunicaRH

Para falarmos de gestão em tempos de crise, é importante relembrar o conceito de gestão, que predomina na influência para a acção.

O contexto actual é uma situação única e desafiante de prever por não ter havido uma igual na mente de quem está no activo hoje e quase não haver certezas de como influenciá-lo. Estes factores, fazem-nos abraçar o slogan estratégico de “Rapidez e agilidade” e juntar a “resiliência” como pilares de qualquer gestão.

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Vamos redesenhar estratégias,

reinventar pessoas e processos, rever custos, retirar desperdícios e, redefinir prazos e metas encurtando o tempo.  A rapidez e agilidade do longo prazo é enorme que temos de ter resistência para chegar lá em menos de 12 meses.

É essa gestão de influenciar para a acção com rapidez, agilidade, rigor e conformidade, sem perder a resistência, que é o requisito fundamental para a gestão de oportunidades.

A função de RH, desparece no resto do meu texto, porque é também nesses tempos, mais do que nunca que todo gestor/ líder a tenha como extensão íntima e cúmplice para uma estratégia maior.  Essa co-gestão íntima e apaixonada permite estabelecer uma oportunidade de proximidade e parceria de suporte a qualquer estratégia.

A descrição de uma estratégia de influência para a acção é responsabilidade de todos. Sendo que muitos de nós têm o “poder decisivo” sobre a tomada dessas “acções”.  Assim, e em conjunto, esse casamento torna-se num poder transformacional das crises como oportunidades de ganhos elevados.

Devemos pensar em transformar pessoas em gestores de crise na busca da oportunidade.  As principais características do mesmo, passam por, pensar “ sem caixa” ao contrario de “ fora da caixa”, permitindo-nos alargar as nossas ideias sem perder o que já se faz bem (dentro da caixa), sermos limitados pela caixa (ideias limitadoras) e ousar pensar e desafiar o status quo (sem caixa).

As oportunidades servem para ajudar as organizações a serem mais eficientes, eficazes e audazes

Para diferençarem-se dos restantes. Potencia uma possibilidade de serem inovadores e trazerem melhores resultados, não significando necessariamente “mais resultados. A importância de melhores resultados tem haver com a sustentabilidade dos mesmos.

É importante perceber que em tempos de crise, não podemos pensar em estratégia sem pensar em pessoas. São as pessoas os condutores dessa estratégia e os responsáveis para alocar cada passageiro no respectivo assento.

Faz-nos pensar na analogia que Jim Collins, um dos gurus em estratégia e sustentabilidade disse: “a estratégia é uma viagem de comboio”.

A sua analogia pode ser explicada com o relato do cenário, em que no dia 1 estamos todos (gestores, colaboradores, fornecedores, parceiros, clientes, accionistas, etc.)  na estação zero, dentro do mesmo carril (nossa organização, nosso projecto, nosso investimento etc.). Fazemos a avaliação de acordo a visão estratégica (para onde queremos ir) e tomamos a decisão de quem vai sair logo na hora do embarque. Convidamos a embarcar o grupo dos que estão motivados, engajados e que agregam valor, quer para gestores, colaboradores, clientes e fornecedores de forma a descartar os que não trazem valor e que são como atrito .

A mais importante das decisões nesse embarque, está no rigor da selecção dos assentos de cada um, incluindo os que escolhemos para conduzir o nosso comboio (nossa estratégia) em tempos de crise, de forma a levar comboio rumo a estratégia.

Um gestor em tempo de crise deve tomar decisões assertivas, comunicar às partes envolventes e nunca ser inflexível. Perante contextos instáveis, a única constante é a mudança. E com isso, passamos do gestor de crise, para gestor transformacional e posteriormente para o gestor da mudança.

A crise só se transforma em oportunidade, se o gestor tiver uma participação activa em cada etapa, mente aberta para as mudanças e tomada de decisão para eliminação das ameaças.

A capacidade de transformarmos as ameaças em oportunidades com suporte das nossas valências e reforço das nossas áreas mais susceptíveis deve ser a base da estratégia de um gestor em tempo de crise.

Por fim, o perfil ideal do gestor, para enfrentar incertezas, deverá ser enquadrado de acordo as seguintes competências:
  • Inovação:
    • Invista em inovação no geral e a Capacidade de focar nos produtos e serviços inovadores, de forma apaixonada e aprender a lidar com as vulnerabilidades.
  • Comunicação, Comunicação e Comunicação:
    • Comunicação de acordo a situação, positiva e de valorização, envolvente e constante.
  • Análise do Risco:
    • Antever e mitigar com o foco em soluções e boas práticas.
  • Controle e qualidade:
    • Gestão com eficiência e eliminação de gastos desnecessários.
  • Estratégia de servir com excelência e elevado desempenho
    • capacite a sua equipe;
    • otimize procedimentos internos.

O momento é único, mas a oportunidade de nos reinventarmos e criarmos valor é enorme e serve de alavanca para o casamento entre a Gestão no geral e os Recursos Humanos.

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1 Response

  1. Alzira Simoes diz:

    Brilhante reflexão que de forma simples e clara nos apresenta as preocupações que a gestão da crise exige.

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