Idália Batalha

Profissional de Recursos Humanos

São de grandes desafios os tempos que vivemos. Esta é uma verdade que pode perfeitamente servir como ponto de partida para a reflexão que irei fazer. Não precisamos de recorrer a exemplos nem a simulações. Estamos todos a viver tempos difíceis.

A pandemia veio tornar inequívoca a importância da capacidade de adaptação, da flexibilidade, da cooperação, da partilha, do foco na concretização de objetivos, do espírito de equipa, da comunicação e do feedback, enfim, de tudo o que sempre se disse, mas nem sempre se reconheceu como verdadeiramente importante. Agora todos tivemos de sentir na “pele” o quão relevantes são todas estas dimensões.

São estranhos os tempos que vivemos. Tempos de incerteza generalizada, mas também tempos onde a solidariedade assume uma relevância muito para além do significado que estávamos habituados a atribuir-lhe.

E como estão a resistir as organizações a todas estas forças? Como está a ser realmente vivida esta pandemia por cada trabalhador? Muito se tem dito, muito se tem escrito muito se tem feito para rapidamente nos adaptarmos ao “novo normal”.

Nunca como agora, nas empresas, os decisores tiveram de encontrar soluções para problemas para os quais não foram treinados nem tiveram oportunidade de estudar nos bancos das escolas. Numa folha em branco, está a ser escrito um capítulo que irá ficar na história com muitas histórias, umas com final feliz e outras nem tanto.

São tempos difíceis, onde se esperam respostas, soluções por parte dos dirigentes das empresas, esquecendo muitas vezes que também eles estão a viver as mesmas angústias e têm os mesmos medos.

É tempo de reconhecer que os CEO’s também choram, também devem de chorar, também têm de chorar. Mas estão preparados para isso?

Eu acho que não, a maioria não. Se queremos ver, dentro das nossas organizações, práticas de gestão de pessoas que se baseiam no respeito, na confiança, na proximidade, na empatia, então temos de garantir que os executivos das nossas organizações reconhecem e praticam estas dimensões comportamentais. Muitas vezes não sabem como se faz, não conhecem e não o reconhecem porque tal não lhes é permitido!

Exigimos muito destes profissionais, temos muitas expectativas e espera-se que tenham um leque de soluções para os problemas que surgem. Mas estão eles prontos para apresentar essas soluções? Estão eles preparados para assumir as suas fragilidades?

Quando falamos em desenvolvimento de executivos a maior parte de nós é capaz de referir de imediato uma lista de escolas ditas para executivo, com programas para executivos onde se estudam as mais recentes tendências e autores, falando-se pouco de “ser pessoa”.

É rara a bibliografia em que explicitamente se fala das fragilidades dos CEO’s, dos CFO’s, dos COO’s e por aí fora… a maior parte das vezes encontramos essas fragilidades mascaradas.

Estamos a viver tempos onde é fundamental implementar programas que suportem as necessidades dos Executivos, sob pena de qualquer intervenção que possa ser feita, nos níveis abaixo, não cumpra os objetivos que se pretendem alcançar, aumentando o nível de frustração das equipas aumentando por isso a tensão que já se vive, penalizando a performance dos negócios.

Afirmamos muitas vezes que temos de cuidar dos colaboradores. E dos Executivos? Estão eles estruturados para cuidar deles e das suas pessoas. É muita a pressão que é exercida sobre os executivos, a maior parte provavelmente a viver em permanente angústia sobretudo quando o acionista espera soluções, muitas vezes quase milagres!

Não tenho dúvidas que agora, mais do que nunca, é necessário permitir que os CEO’s  se mostrem tal como são, que sejam genuínos, sem medos. Quantas vezes já perguntou aos seu CEO se precisa de ajuda? Se o pode ajudar e como pode ajudar?

Os tempos pedem uma maior humanização na forma como gerimos pessoas, uma maior proximidade. Muitos de nós estamos esquecidos de como isso faz, outros nunca aprenderam, mas ainda vamos a tempo.

Acredito que este processo doloroso de transformação vai fazer nascer novos modelos organizacionais muito distintos daqueles que conhecemos onde vai ser inevitável revermos muitas das certezas que durante anos e anos fomos construindo e que de um dia para o outro caíram por terra.

Já agora não se esqueça: os CEO’s também choram!

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