Taslima Momade

Supervisora de Recursos Humanos na Deloitte Moçambique

Já dizia o poeta romano, “mente sã, corpo são”. A união entre mente e corpo é fundamental para o nosso bem-estar. As consequências da falta de atenção com o nosso corpo podem levar anos a manifestar, mas os efeitos na nossa mente são imediatos.

A OMS define a saúde mental como sendo “um estado de bem-estar no qual o indivíduo percebe suas próprias habilidades, pode lidar com as tensões normais da vida, pode trabalhar de forma produtiva e frutífera e pode contribuir para a sua comunidade”.

A saúde mental abrange todas as nuances menores que tornam a vida agradável; passar um tempo com amigos e família que o revigora, reservar um tempo para se conectar com a natureza por meio de caminhadas, passeios de bicicleta ou caminhadas para revigorar os sentidos ou simplesmente reservar um momento para ler um bom livro.

Quando estamos sobrecarregados, stressados ​​ou a passar por tempos difíceis, são essas “pequenas coisas” que ficam em segundo plano. Vivemos numa época em que tudo precisa de “mais”; mais tempo, mais energia, mais foco, mais detalhes, mas, o que acontece quando não temos mais para dar?

Muitos são os fatores de risco para a saúde mental que podem estar presentes no ambiente de trabalho.

A maioria dos riscos estão relacionados com as interações entre o tipo de trabalho, o ambiente organizacional, as habilidades e competências dos colaboradores e o suporte disponível para os colaboradores realizarem o seu trabalho.

Por exemplo, um colaborador pode ter as competências para completar as tarefas, mas pode ter poucos recursos para o fazer ou pode haver práticas organizacionais que não o apoiem.

Os riscos para a saúde mental incluem:

  • Políticas inadequadas de saúde e segurança;
  • Más práticas de comunicação e gestão;
  • Participação limitada na tomada de decisões ou baixo controle sobre sua área de trabalho;
  • Baixos níveis de suporte para os colaboradores;
  • Ambiente de trabalho tóxico;
  • Horários de trabalho inflexíveis;
  • Tarefas ou objetivos organizacionais pouco claros.

Estudos apontam que os transtornos mentais mais frequentes gerados no ambiente de trabalho são:

  • Stress;
  • Burnout;
  • Ansiedade;
  • Depressão;
  • Transtorno de pânico.

Se não forem devidamente tratados, estes transtornos podem criar um impacto negativo como o absentismo, baixa produtividade, desmotivação, desgaste dos relacionamentos interpessoais, ou até mesmo o afastamento do trabalho.

Perguntamos ainda: como recuperamos o equilíbrio? Assumindo o controlo de nosso próprio bem-estar. Conversar ativamente e encorajar os colaboradores que podem estar a lutar para fazer o mesmo.

Não conseguimos ver o stress, a ansiedade ou a depressão e, como resultado, não podemos consertá-los.

Só podemos resolver compartilhando o que estamos a passar com aqueles ao nosso redor para começar a diminuir o fardo. É somente por meio do diálogo aberto que podemos começar a enfrentar os desafios e encontrar uma maneira de navegar adiante sem sobrecarregar ainda mais a nossa psique.

Como os gestores de Recursos Humanos podem identificar, combater ou até mesmo evitar estes fatores no ambiente de trabalho:

  • Escutar;
  • Entender as informações que o outro compartilha;
  • Observar as falas e os comportamentos que são diferentes do habitual;
  • Desenvolver a sensibilidade da empatia;
  • Conscientizar sobre a saúde mental: seminários com profissionais da saúde, workshops, partilha de conteúdo sobre a saúde mental através da comunicação interna;
  • Apoio médico, através de seguros de saúde de que cobrem consultas, sessões e tratamentos psicológicos.

Os colaboradores por sua vez, podem criar hábitos e rotinas que beneficiem o seu bem-estar:

  • Bloquear na agenda um tempo para si;
  • Manter uma alimentação saudável;
  • Ter uma boa noite de sono;
  • Exercitar frequentemente;
  • Meditar ou incorporar práticas de mindfulness;
  • Construir boas relações;
  • Não levar as críticas para o lado pessoal.

As organizações devem priorizar uma cultura onde os colaboradores podem abertamente e sem receio de represálias expressar a sua condição psíquica.

Por exemplo, normalizar as idas às sessões de terapia assim como às de fisioterapia pode contribuir para que os colaboradores sintam-se confortáveis em procurar o tratamento que precisam.

A boa saúde mental no trabalho e o bom gerenciamento andam de mãos dadas e há fortes evidências de que locais de trabalho com altos níveis de bem-estar mental são mais produtivos.

Deixe uma resposta