Carreira: Porquê morrer sem pedir ajuda?

Suzana Da Rosa - comunicaRH

A jornada profissional, ou carreira profissional, é parte significativa da vida humana, e para responder às necessidades apresentadas pelo psicólogo americano Abraham Maslow na pirâmide das necessidades, pressupõem-se que as pessoas tenham uma fonte de rendimento ou quem pague suas contas!

Para quem vive no primeiro cenário, a busca por manter uma fonte de rendimento, constituirá uma jornada de trabalho sendo acompanhada de dores e prazeres.

As doenças ocupacionais advém do exercício profissional e da influência da jornada laboral na saúde do colaborador. Porém, poderiam ser amenizadas quando se recorre a profissionais orientadores para o alcance dos objetivos a longo prazo, reavaliando o bem-estar do colaborador.

Conversamos com a  profissional angolana, Suzana da Rosa (que quase foi arquiteta, sendo que ansiava ser engenheira, ainda que seu sonho de infância fosse ser médica), tendo partilhado que não tinha clareza no início do seu percurso acadêmico. Receava não ser numa profissional consciente do seu exercício profissional. Sua busca por respostas foi dolorosa, culminando com sua atividade atual: Coach de Carreira.

O coaching é uma metodologia/processo, que permite o uso de técnicas, ferramentas e conhecimento de diversas áreas, desde a Psicologia, Neurociência, Planeamento estratégico entre outras, com vista a melhorar o desempenho e alcançar resultados satisfatórios, seja no contexto pessoal, profissional, social, familiar, financeiro ou outro.

Questionada sobre a procura por profissionais de coaching em Angola, referiu ser timída e que, nos seus dois anos de exercício, observou a sua crescente procura.

Muitas vezes, os profissionais não sabem que precisam de ajuda e ficam no modo piloto automático, fazendo apenas as tarefas que lhes são incumbidas. No final do expediente vão para casa, esperando o salário ao final de cada mês, raras vezes refletem sobre seu bem-estar e satisfação no exercício laboral.

As condições sociais dos países africanos, não são um campo fácil, quando se trata de tomar decisões ou fazer escolhas difíceis em relação a sua carreira. Um exemplo disso é a necessidade de rescindir um contrato com sua empresa, porém não o fazem enquanto não surge uma proposta de trabalho, mesmo que a situação na empresa seja desagradável,  sendo o caso de situações de maus tratos, falta de perspetivas de progressão na carreira.

Passa a ser visível a busca por um sentido e propósito dos colaboradores nas organizações. Partilhou connosco o caso de uma jovem talentosa, dinâmica, com vontade de crescer, aprender e com uma grande sede em ajudar outros profissionais, mas que às vezes fica por cima do muro na dúvida entre estar numa grande empresa (que lhe pague muito bem) ou trabalhar de forma independente como Coach, num mercado onde o coaching está a começar.

Mesmo que muitas vezes não saibam qual é o papel do coach de carreira, cogitando que este lhe possa arranjar um emprego ou dar uma solução, do dia para noite, reforça que o coaching é um processo de acompanhamento entre o coach e o coachee.

Num contexto em que a procura pelos profissionais de coaching tenha crescido, seja na área de saúde e bem-estar ou nos relacionamentos, há relatos ainda sobre sua banalização. Existem coaches que não se dedicam a desenvolver as técnicas e estudar sobre o coaching, melhorando suas habilidades e competências, transpassando a forma de atuar dos coaches de outras realidades.

O resultado disso é a existência de coaches com discursos motivadores: “você pode”, ‘’você consegue’’, sendo estímulos momentâneos, em vez de um processo de orientação, onde há uma relação de compromisso, com vista ao alcance do objetivo traçado.

Para melhor compreensão, não é de um dia para o outro que o procrastinador torna-se proativo, ou que alguém que não estabelecia metas, passa a estabelecê-las e alcançar dentro dos prazos previstos, sem que se conduza o processo com compromisso do coachee em tornar-se a melhor versão de si, usando todas as ferramentas necessárias para que o processo seja o mais eficaz, dando um passo de cada vez e se transformando de forma gradual, mas permanente.

O coach tem de ter consciência de que o seu papel fundamental é dedicar-se  ao coachee de forma particular, pois seria óptimo orientar 100 coachees de uma só vez e perceber as necessidades individuais, fazendo percetível o resultado a longo prazo mas na realidade não funciona dessa forma.

Fala-se da procura por coaching em diversas esferas. Falando dos coaches de carreira, qual é a sua visão, ao abordarmos a orientação na recolocação no mercado de trabalho?

Relembra que o coach tem um papel de orientador e ao longo do processo não é o seu objetivo dar-lhe um emprego ou procurar um para si uma vaga; em processos por si conduzidos, clarifica que, antes de procurar uma recolocação ou novo emprego, é necessário perceber quais as motivações internas e trabalhar nelas. Só depois será trabalhada a componente externa para o alcance do objectivo.

Curiosamente, o índice de desemprego é alto, porém, o número de pessoas empregadas frustradas nos seus locais de trabalho também é alto e muitas desejam trocar de emprego mas não recorrem a ajuda de profissionais que os possam direcionar, ou porque não sabem que existem ou porque acham que é caro.

Encerramos com um apelo:

Mesmo que a nível global, os norte-americanos sejam os top e nos países de expressão de Língua Portuguesa sejam os brasileiros a referência, ainda que o campo de coaching permita a autocolação profissional, há princípios por seguir. Com a evolução global do coaching, em países africanos, há uma longa estrada por trilhar e na sua atuação deverão considerar-se questões culturais e sociais, integrando o indivíduo de forma adequada. Pensa global mas age local.

Acompanhe a primeira parte da entrevista Suzana Da Rosa: https://comunicarh.com/carreira-a-jornada-profissional-e-um-caminho-de-reajustes/

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