Carreiras & Pessoas: Rui Nascimento Alves

Carreira, Ri Nascimento - comunicaRH

Entrevistamos Rui Nascimento Alves, Deputy Head of HR do Banco de Portugal, sobre a sua carreira de sucesso.

Rui é um profissional com sólida experiência, nacional e internacional, no setor bancário, saúde, bens de consumo, TI e consultoria de negócio. Apaixonado por talento e desenvolvimento organizacional, gestão de mudanças, compartilhamento de conhecimento e networking. Coach, autor, palestrante e professor. Prêmio de Gerente de RH do Ano 2010 e 2017.

Rui, falou sobre o seu percurso, desafios e as competências que considera críticas para um gestor de recursos humanos.

1. Qual a sua formação de base e que outras formações concluiu - académicas e/ou profissionais - para o desempenho das suas funções?

Sou licenciado em Sociologia do Trabalho (ISCSP), com especialização em Gestão de Recursos Humanos. Fiz inúmeras formações académicas e profissionais, nomeadamente uma pós-graduação (Católica) e mestrado (ISCTE) em Gestão de Recursos Humanos, para além de um Executive MBA (INDEG/ISCTE) e de um Advanced Management Program (Católica/Kellogg School of Management). Para além disto, tenho investido continuamente em formação, nomeadamente em Coaching, sendo Professional Certified Coach (PCC) pela International Coach Federation (ICF) e International Coaching Community (ICC). Sou também certificado em Targeted Selection Administration e Facilitation Skills pela DDI (Development Dimensions International). É um caminho que nunca termina, felizmente.

2. Qual foi o seu percurso para chegar à sua atual posição? Quando percebeu que era este o seu propósito? Foi premeditado, ou foi acontecendo?

Sou Deputy Head of HR do Banco de Portugal. Fui Director Regional de Recursos Humanos da Johnson & Johnson Consumer Health para a região Sul da Europa e França. Anteriormente, exerci idênticas funções para a área de Supply Chain da Johnson & Johnson Medical Devices na região EMEA (Europe, Médio Oriente e África) e Ásia Pacífico (India, China e Japão). Trabalhei na Europa, Médio Oriente, África e EUA, onde vivi alguns anos. Fui Manager e Director de Recursos Humanos no sector farmacêutico (Novartis); e Consultor de GRH em Portugal e PALOP na SAP Espanha & Portugal e CEGOC-TEA, onde comecei a minha carreira.

Confesso que se parte do percurso foi planeado, a maior foi resultando de opções tomadas antes, e muitas oportunidades surgiram naturalmente, em resultado do meu trabalho. Sem nos esforçarmos e procurarmos as oportunidades, pouco ou nada acontece. No meu caso, trabalhar em organizações multinacionais, e fora de Portugal, em contexto internacional, com equipas matriciais e muitas delas virtuais, tem caraterizado o meu percurso, o que muito valorizo porque de outra forma teria tido metade da experiência e uma terça parte do gozo. O meu propósito é o de trabalhar com pessoas, ajudá-las a atingir os seus objetivos e a desenvolverem-se. É para isso que me levanto todos os dias. E há muito a fazer, cada vez mais. 

3. Quais são os maiores desafios da profissão e que conselhos daria a jovens gestores de pessoas que queiram seguir um trajeto semelhante ao seu?

Mais do que um trajeto semelhante ao meu, importa que definam o seu trajeto, que sejam claros e intencionais quanto ao mesmo, e que estabeleçam os seus objetivos e se foquem em como os atingir – o seu “quê” e o seu “como”. E que o façam humildemente, a liderar os seus destinos, a querer aprender e a experimentar coisas novas todos os dias, a integrar o que aprendam, a tentar e a errar, a voltar a tentar, sem desistirem perante as adversidades, e sobretudo sem comprometerem os seus valores e os dos outros, abertos a novas ideias e a abraçar as diferenças.

Os desafios são muitos, cada vez mais e em mutação acelerada, mas é isto que torna a profissão mais interessante. Os modelos de gestão de pessoas estão a mudar consideravelmente e adotarão formatos fluídos, cada vez mais focados no suporte ao negócio, seja qual for, num contexto de impacto considerável das tendências que temos observado, sobretudo na componente tecnológica e demográfica. Os temas da flexibilidade no trabalho, o bem-estar dos colaboradores, as propostas de valor de empregados, a gestão dos talentos, a diversidade, a qualidade da liderança, a renovação e o envolvimento organizacional serão os grandes temas do presente e futuro, e também os maiores desafios que líderes e profissionais de gestão de pessoas já enfrentam.

4. Daquilo que é a sua visão do mercado, quais as competências cruciais para o sucesso do gestor de pessoas do futuro? 

Temos de conhecer o negócio e aportar valor. Precisamos ser uma voz ativa e valorizada à mesa dos líderes. Somos também nós líderes que dão suporte aos negócios das organizações que nos pagam e, como tal, influenciamos a sua componente humana, gerando valor, desenvolvendo capacidades da organização e competências dos colaboradores. Só assim seremos mais reconhecidos e valorizados.

Integramos eficazmente a estratégia e a operacionalidade das soluções que propomos. Temos de ser eficazes a gerir ambas, a utilizar informação e dados de diverso tipo, ferramentas de avaliação e análise, e a tomar decisões com base em tecnologia que estará cada vez mais integrada nos processos de gestão de pessoas.

Idealizamos, desenhamos e implementamos soluções de gestão de pessoas, e temos de ser competentes a fazê-lo, em articulação com os demais líderes da organização, de forma ágil, flexível e focada no incremento do desempenho da organização. Temos de ser capazes de o fazer bem, descomplicando o complexo, pensando e atuando de forma objetiva e assertiva, separando o essencial do acessório e pensando de forma independente quanto aos fatores que influenciam a organização e o seu negócio.

Criamos oportunidades para estimular e impregnar a organização com atitudes positivas, focadas no sucesso, na colaboração de pessoas e equipas, na promoção dos seus valores, na criação de confiança, na valorização e reconhecimento dos seus contributos, comunicando-os eficazmente, persuadindo positivamente e vendendo interna e externamente os nossos projetos.

Se conseguirmos fazer tudo isto de forma competente, estaremos a fazer o melhor pelas nossas pessoas, e a ser melhores gestores de pessoas, hoje e no futuro.

Entrevista de Iúri Branco – Parceiro de Conteúdo da comunicaRH

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