Entrevista com Iva Dias Diretora de RH da BA Glass

A BA Glass é um grupo ligado à industria que produz um elemento essencial para o nosso dia-a-dia: garrafas de vidro. Falámos com Iva Dias, a Diretora de Recursos Humanos que nos falou abertamente das mudanças ocorridas ao longo dos últimos anos, desde a aquisição da empresa ao impacto da pandemia. Fica aqui um exemplo de sucesso e de evolução constante para dar resposta às mudanças no meio ambiente.

comunicaRH – Sabemos que os últimos anos foram complexos, mas 2020 trouxe um cenário completamente diferente, longe de qualquer previsão. Quais foram as maiores mudanças e desafios que a BA passou nos últimos anos e principalmente este ano de Pandemia?

ID – A BA teve um desafio de crescimento muito acentuado nos últimos anos, passando de uma empresa Ibérica, para um Grupo com operações produtivas em 7 países na Europa, empregando cerca de 4000 colaboradores e falando 10 idiomas.

A par deste crescimento, uma nova visão foi criada – “Wrap dreams beyong packaging”, e é esta visão que tem guiado as nossas prioridades. Para além do desenvolvimento de novas competências nas equipas e de um maior desafio à inovação, que nos permite surpreender constantemente os nossos clientes e consumidores, também a reorganização do trabalho em ambiente internacional, e a integração de culturas, fruto de um crescimento por aquisição, foram pontos chave nos últimos anos.

Em 2020, desde o início da pandemia, tivemos 3 prioridades: garantir a segurança dos nossos colaboradores,  manter a capacidade produtiva e responder às necessidades dos nossos clientes. Claro que o nosso dia-a-dia mudou muito, pois tivemos de ultrapassar diversos desafios, sendo a flexibilidade e a rápida capacidade de resposta e superação essenciais! Hoje, somos um equipa mais coesa e forte do que eramos há 1 ano atrás e acredito que melhor preparada para os desafios futuros.

comunicaRH – Nesse momento, mais do que em qualquer outro, é necessário ter uma cultura organizacional firme que sirva como base às ações a serem tomadas. Quais são os atuais pilares da cultura da BA? Como a cultura da empresa foi afetada no cenário de pandemia? Qual será a nova cultura depois de toda essa aprendizagem?

ID – Desde sempre que os valores HeART (Humildade, emoção, Ambição, Rigor e Transparência), estiveram muito presentes nas nossas acções. E desde sempre, que fizemos questão em explicitá-los, aplicá-los no nosso dia-a-dia, nomear os seus embaixadores , viver intensamente o que designamos de “BA Way”. Nos últimos anos, este trabalho foi ainda mais intenso e enriquecedor , na medida em que integramos muitas empresas, com histórias e vivências diversas.

Em 2020, com a pandemia a cultura não foi afetada, a cultura foi reafirmada! O nosso “BA Way” foi mais importante do que nunca, e tudo aquilo que “nos ensinou” ao longo dos anos foi posto em prática nos últimos meses, e “passou” com sucesso.  Amanhã, não haverá uma nova cultura. Os nossos valores continuarão a ser os nossos pilares, que nos ajudarão a ultrapassar novos desafios, assim como o fizeram nesta difícil etapa. 

comunicaRH – Como se motivou as equipas em chão de fábrica quando outras equipas estavam no conforto de casa em teletrabalho?

ID – Desde o início da pandemia o desafio foi conseguirmos continuar a produzir, sem parar uma única linha de produção, em todos os países em que operamos. E até hoje, conseguimos! Mantivemos todos os postos de trabalho, servimos todos os nossos clientes habituais, e mesmo novos clientes, e continuamos a permitir que os nossos produtos sejam todos os dias reabastecidos nos supermercados, restaurantes e cafés. Não há dúvida que isto só foi possível, através de um grande envolvimento das nossas equipas e de um sentimento de “ownership”, que é algo que sempre fez parte das nossas ações e que desde há muito tempo faz parte do nosso BA Way.

Não tenho dúvidas de que os nossos valores e a nossa forma de estar foram notórios nesta pandemia, e é com orgulho que afirmo que este sentimento de pertença, esteve presente todos os dias, e nem mesmo o receio, que naturalmente surgiu em alguns momentos, foi suficiente para abrandar as nossas equipas.

Acredito que o facto de termos colocado a saúde de todos em primeiro lugar, com medidas de prevenção que superaram em muito as exigências habituais, fez com que os colaboradores se sentissem seguros em toda a empresa

A transparência foi também um dos nossos pilares, e diversas comunicações foram e continuam a ser frequentemente efectuadas, mantendo todos os colaboradores informados sobre o que se passa e quais as acções que estão a ser tomadas.

comunicaRH – Hoje as competências existentes na organização são suficientes para suportar o desenvolvimento das pessoas e do negócio? Quais serão as novas competências necessária ao negócio, face a essa nova aprendizagem? Como será o processo de avaliação no futuro.

ID – Apesar do vidro ser um material com mais de 7000 anos, a produção de vidro de embalagem tem vindo a sofrer significativas transformações, e hoje em dia as nossas fábricas são altamente automatizadas. Controlo automático de todo o processo, robots de lubrificação, realidade aumentada, capacidade preditiva de resultados que permitam alterar parâmetros, são projectos que as nossas equipas de desenvolvimento do processo têm em mãos todos os dias. Ora, com estas alterações, também as competências exigidas passam a ser diferentes. As capacidades analíticas, a predisposição digital, já para não mencionar a importância de dominar o inglês, são hoje competências transversais a toda a organização e a todos os níveis da organização.

No que se refere ao processo de avaliação, imagino que no futuro, em termos técnicos será mais exigente, na medida em que a inadaptação à nova realidade inviabilizará a capacidade de trabalhar numa indústria mais digital. No entanto, o processo de avaliação de competências, deverá mais do que nunca, ter em conta competências de liderança, inovação, criatividade, assunção de risco e colaboração. Sem dúvida estas continuarão a fazer a diferença num mundo em que tudo será mais “automático” e portanto semelhante!

comunicaRH – Afinal, se a mudança têm sido uma constante, a resposta não estará em permanecer com os mesmos modelos e processos, por essa razão, a liderança e as equipas necessitam de se adaptar aos novos desafios. Face a essas mudanças e desafios o que mudou na liderança e no trabalho de equipa nos últimos anos e na pandemia?

ID – Todas as mudanças que temos sofrido nos últimos anos não seriam possíveis sem uma liderança coerente e presente. O BA Way também nos ensinou que “Lead by example” é algo que nunca nos podemos esquecer. Neste ano especialmente difícil, a liderança forte e transparente assumiu um papel fundamental, não apenas para gerir os que estavam presentes, mas também para conseguir motivar e desafiar aqueles que passamos a ver menos vezes, fruto das restrições que nos impossibilitaram de viajar com a frequência que estávamos habituados. Vimos ainda renascer, não apenas o trabalho, mas o espírito de equipa: alterações de horários de trabalho, substituições de colegas que estavam ausentes, flexibilidade de funções, foram efetuadas sem qualquer resistência. Pelo contrário, novas ideias e novas possibilidades de cooperação surgiram de todos os níveis da organização.

comunicaRH – Que novas ferramentas foram necessárias implementar para fazer face a toda essa mudança?

ID – Há já alguns anos que a BA tem vindo a trabalhar no sentido de se tornar uma empresa mais digital. Várias ferramentas de colaboração digital e à distância estavam já implementadas por todo o Grupo. No entanto, sentimos a necessidade de aumentar ainda mais a proximidade com as pessoas, mesmo que de uma forma não presencial/física, e envolvê-las nas medidas a serem implementadas para conseguirmos superar os desafios impostos pela pandemia.

Reforçamos o desenvolvimento de ferramentas de comunicação à distância, e melhoramos as já existentes, por forma a garantir a continuidade das relações, com colaboradores, clientes, fornecedores, e toda a comunidade em geral. No caso das equipas corporativas tivemos ainda a necessidade de criar diferentes condições de trabalho e proporcionar a todos ferramentas que permitissem um regime de trabalho à distância.

comunicaRH – Quais serão as prioridades para 2021 no que se refere a gestão e liderança de pessoas?

ID – As prioridades referentes à gestão de pessoas deverão estar alinhadas com as prioridades do negócio e a sustentabilidade é algo que está no topo da nossa agenda. Acreditamos que o nosso negócio, o vidro, poderá fazer a diferença para a preservação do planeta e acreditamos que temos como missão fazer parte daqueles que levam essa mensagem a todos os consumidores.

Mas, estamos a fazer mais do que somente promover o vidro – estamos a melhorar os nossos processos, a inovar e a investir no sentido de nos tornarmos uma empresa com menor pegada carbónica. Afinal, de acordo com o nosso BA Way, nós devemos dar o exemplo e ser os primeiros embaixadores de um futuro mais sustentável!

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