Lidar e Liderar

Miguel Alves - comunicaRH

Após cerca de um ano e meio de reuniões por zoom ou teams, parece que chegou a altura de todos nós voltarmos ao escritório. Para trás, irão ficar os chinelos de baixo da mesa da sala, os gritos dos pequenotes, porque a escola virtual não funciona, e o prato das torradas do pequeno almoço ao lado do portátil, a transbordar de migalhas.

É hora de voltar a enfrentar o transito infernal, as filas para os transportes e reencontrar os colegas, que nos fomos habituando a ver dentro do ecrã.

Se durante o período de recolhimento, tivemos de nos adaptar às novas condições de trabalho, fechados em casa com medo, até, de respirar, hoje temos de voltar a adaptar-nos e encaixarmo-nos, novamente, no modelo anterior.

Se à partida esta readaptação pode parecer um processo fácil, porque seria um voltar à casa de partida, um estado sobejamente conhecido por todos nós, a realidade pode não ser assim tão simples e linear.

Durante o período de recolhimento, vimo-nos obrigados a adotar novos hábitos e sofremos diversas limitações e constrangimentos, tudo isto num curtíssimo espaço de tempo. Eu diria que, a maioria de nós sentiu um choque cujos efeitos se prolongaram ao longo deste ano e meio.

Então, será que voltamos ao escritório as mesmas pessoas? Estou convencido que não. 

Acredito que as pessoas vão voltar bastante diferentes pois, desde logo, o mundo, também ele, está diferente.

Confesso que eu próprio comecei a refletir mais sobre a existência e o significado da vida. Não se trata de um pensamento caracterizado por uma crise existencial, mas sim de um pensamento baseado no facto de que a vida é algo que não deve ser dado como garantido. A prova disso é que, de um dia para o outro, o mundo virou-se do avesso e todos nós ficámos à mercê de algo desconhecido, que teve a capacidade de criar uma onda de ansiedade em todos nós, mesmo nos negacionistas.

Quem regressa hoje aos escritórios são pessoas totalmente diferentes, com uma perspetiva distinta e uma relatividade, perante a vida, mais vincada. Incluindo as próprias chefias, que apesar de terem características diferenciadas, são pessoas. Isto significa que estes últimos terão um desafio herculiano pela frente, nos próximos tempos.

Os líderes terão a árdua tarefa de, em tempos de grande exigência para a recuperação económica e financeira, terem de fazer, primeiramente, uma análise profunda da nova realidade com vista a identificar os novos hábitos, as novas crenças, as novas motivações e objetivos que os colaboradores trazem consigo, neste regresso. E após esta análise, é possível que se venha a concluir que as próprias organizações também já não são as mesmas. Isto é, que por força das transformações individuais de cada um dos colaboradores, as organizações podem ter mudado, por exemplo, a sua essência ou até mesmo a sua cultura.

Em tempos tão desafiantes, a existência de líderes inspiradores assume um papel preponderante e fundamental para que as mudanças operadas durante a pandemia sejam compreendidas, permitindo lidar da melhor forma com este novo normal.

Avizinham-se tempos estranhos, onde é necessário equilibrar equipas e manter o foco nos objectivos da empresa. Conseguir este equilíbrio é o grande desafio. Distinguirá organizações atentas e vanguardistas de organizações rígidas. Este posicionamento, não é algo que necessite de grandes investimentos financeiros, mas necessita de uma abordagem holística às necessidades dos colaboradores e da empresa.  

Como se faz isto?  Como se mantêm, agora, os colaboradores motivados?

Não acredito na existência de uma fórmula única, que nos permita ter a certeza de chegar ao resultado de forma rápida e eficaz. Acredito, sim, que é o foco nas pessoas e nas suas necessidades o princípio de tudo. Citando Simon Sinek, “Se não perceber de pessoas, não perceberá de negócios”

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