O papel do Parafuso

O papel do Parafuso - comunicaRH

Há alguns anos atrás, fui obrigado, por força de uma tragédia da vida, a confrontar-me com uma reflexão, aparentemente inocente e ingénua, mas que, se veio a demonstrar de grande significado e profundidade: afinal o que é e para que serve um Parafuso?

Perguntarão os meus distintos amigos que se dispõem a ler este texto despretensioso, que sentido fará esta abordagem numa plataforma relacionada com Recursos Humanos? Tentarei que o desenvolvimento da minha abordagem conduza, no final, à clarificação dessa dúvida.

Na nossa vida quotidiana somos confrontados, em grande quantidade e em grande diversidade com um objecto em forma peculiar, com cabeça arredondada e corpo roscado a que se convencionou chamar Parafuso.

Como em muitas situações da nossa rotina habitual, é tão natural a convivência com elementos simples e aparentemente banais, que nem nos detemos a olhar com mais cuidado para cada um deles. Isso acontece com objectos e até às vezes com pessoas.

Quantos de nós convivemos com alguém há muito tempo e, pelo hábito desse convívio, não paramos a reflectir mais profundamente sobre a personalidade dessa pessoa e o valor acrescentado dela para a nossa vida?

E de volta ao nosso Parafuso, vamos então tentar aprofundar um pouco mais o conhecimento sobre este objecto de aparência tão vulgar, quase banal.

Facilmente constatamos a sua presença permanente em portas, puxadores de portas, janelas, móveis, torneiras, candeeiros, portões, carros, bicicletas, bancos de jardim, monumentos, aviões, naves espaciais, …Enfim, por todo o lado!

Visto por este prisma, da sua generalizada omnipresença, quase seríamos levados a assumir que parece mesmo um objecto importante.

Mas vamos parar então um momento e pensar qual o poder do Parafuso. E rapidamente perceberemos que, sozinho, o Parafuso serve de muito pouco. Praticamente nada se faz com um Parafuso isoladamente.

Mas ao pensarmos nas diversas utilizações que se podem dar ao dito objecto curioso, de cabeça arredondada e corpo roscado, somos levados para um mundo sem limites. Além daquelas situações acima referidas em que convivemos com o Parafuso, muitíssimas outras podem ser imaginadas, umas mais habituais, outras menos frequentes.

Pode haver quem o use como elemento decorativo e até mesmo quem tenha o atrevimento de construir as diversas peças de um Jogo de Xadrez com diferentes formas ou conjugações de Parafusos.

Chego então ao ponto que queria da minha reflexão e onde a tese que aqui defendo, acerca de um objecto aparentemente simples e vulgar, tenta mostrar que, apesar da sua quase nula relevância e valor acrescentado quando sozinho, assume uma importância tremenda quando enquadrado num contexto mais alargado, em que surja em conjunto com outros elementos.

Reflexões semelhantes se poderão fazer sobre a participação e a importância de pessoas simples, às vezes quase anónimas, que, por pouco valor acrescentado que possam ter isoladamente, não deixam de representar enorme relevo no conjunto.

Todos compreendem bem a associação da palavra Parafuso a outros termos ou expressões como: peça de um conjunto, elemento agregador, elo de ligação, parte de uma construção, etc.

Também nas nossas organizações somos permanentemente confrontados com elementos das nossas equipas que são verdadeiros Parafusos e que convivem com outros que, porque não têm as características roscadas daquele objecto, só têm utilidade quando metidos a martelo, sem flexibilidade e com grande rigidez.

Aos líderes das equipas e das organizações pede-se cada vez mais a utilização das adequadas chaves de fendas, que obtenham de cada um o maior potencial possível, nesta estratégia de permanente busca de melhoria, inovação, criatividade, construção e valor acrescentado.

Nessa busca da maximização do potencial de cada um, saibamos cumprir a nossa missão de Parafuso na vida, construindo pontes e aproveitando todas as soft skills das diferentes experiências de cada um, na sua vida pessoal, social e profissional, em prol do maior bem comum.

Para que nunca nenhum elo se rompa na cadeia por falta de um simples, mas indispensável Parafuso.

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Uma resposta

  1. Belíssima reflexão. O “Eu ” isolado cada vez menos importante…já o ” Eu ” em equipa, para fazer nascer a obra, é a formula!

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