Quais as medidas que os líderes tomaram neste cenário de pandemia?

desafios dos lideres na pandemia

Tivemos a oportunidade de falar com três líderes de respeitadas empresas do Brasil. Lançámos duas perguntas para perceber as medidas que os líderes tiveram de tomar neste cenário de pandemia. Certamente toda a nossa rotina mudou e hoje falamos do “novo normal”. Esta pandemia afetou a nossa forma de viver, processos e rotinas, dentro e fora do contexto profissional e fomos então perceber como os líderes reagiram e em que se focaram para manter as equipas juntas, produtivas e motivadas.

1. Diante do atual cenário da pandemia quais as novas preocupações e desafios dos recursos humanos e quais os processos que devem ganhar prioridade na agenda do gestor de RH?

Certamente esta pandemia veio mudar as nossas prioridades. O “novo normal” trouxe mudanças, e os gestores tiveram de focar as suas energias em problemas que noutro contexto não assumiam tanta importância. Esta pandemia veio tornar-nos mais preocupados com as pessoas, sejam elas colaboradores ou clientes.

Eduardo Batista:

Comecemos por Eduardo, atualmente vice-presidente com passagem por setores da logística, alimentar e automóvel.

Para Eduardo o cenário de pandemia tem trazido novos desafios, mas também interessantes aprendizagens. “Ninguém estava realmente preparado para uma situação como esta e entendo que os principais desafios que se apresentaram para recursos humanos foram: garantir a segurança dos colaboradores como principal prioridade; garantir o atendimento dos níveis de serviço aos clientes; agilidade e flexibilidade para ajustar o ambiente de trabalho à nova realidade de distanciamento social; agilidade e flexibilidade para ajustar a força de trabalho e preservar ao máximo o emprego; garantir um processo ágil e efetivo de comunicação com os colaboradores e clientes; garantir que nossa equipe se sentisse respeitada e valorizada de forma a manter o nível de motivação” disse o vice-presidente.

Eduardo também afirmou “diante disso vejo que os processos que devem ganhar prioridade na agenda de recursos humanos são aqueles destinados a manter as lideranças próximas de suas equipes, entendendo suas necessidades, gerando confiança e bem-estar no ambiente de trabalho e compromisso com o desenvolvimento e crescimento profissional. Adicionalmente vejo também que nossa agenda deverá ser orientada a rever permanentemente processos de trabalho e de tomada de decisão para que sejam cada vez mais ágeis. Pensar “fora da caixa” e “agilidade” seguramente deverá fazer parte da agenda do gestor de RH pós pandemia. Aprendemos que isso é necessário e faz muito bem para o negócio. Este será sem dúvida um legado da pandemia”.

Renato Braghetto:

O bem-estar e segurança passaram a ser uma das prioridades dos gestores de RH. A segurança das pessoas passou a ser para Renato Braghetto, diretor de RH duma cadeia de serviços de transportes e logística, um dos factores principais. O diretor partilhou o que mudou na sua organização:

“passada toda a parte de criarmos protocolos de segurança de tal forma a evitarmos contaminações internas e externas, onde criamos mais de 30 protocolos do que fazer, o que não fazer e como fazer, nossa preocupação continua em garantir que os protocolos estejam no dia a dia dos colaboradores,  pois por sermos uma empresa essencial não podemos ter impactos operacionais, uma vez que os alimentos, medicamentos e demais bens de consumo, precisam chegar na casa das pessoas, hospitais e, não termos absentismo e turnover em nossas operações é fundamental para isto”.

Esta pandemia trouxe novos desafios e preocupações, afirma Renato. “As adaptações ao novo normal, pois nossos escritórios centrais já estão em Home Office desde abril e esta situação ainda deve perdurar até o final de julho e o retorno está sendo programado de tal forma a termos rodízio de pessoas por categoria A, B e C, como exemplo, a finalidade de evitarmos aglomerações de pessoas e com todo um protocolo de higiene e distanciamento que anteriormente não existia bem como, estamos investindo em adaptações de salas de reuniões com ferramentas de IT  para que possamos utilizar salas para reuniões, virtuais bem como uma revisão em nossa política de viagens nacionais e internacionais”.

As mudanças não ficam por aqui, Renato fala também sobre processos que foram alterados e a importancia da agilizAR: “Agenda do gestor de RH, cada vez mais está inserida no negócio e participar das decisões estratégicas, de tal forma, a suportarmos com eficiência nossos colaboradores, fornecedores, clientes internos e externos e proporcionar com agilidade novas ferramentas de trabalho: home office, jornada de trabalho flexível, processo seletivo remoto, RPA em várias ferramentas: processo de admissão, digitalização, ponto digital, plataforma de treinamentos digitais, explorando ainda mais treinamentos e-learning e mudança de mindset para encarar o novo e testar sem medo de errar e as vezes assumir riscos”.

Célio Pinto:

A digitalização permitiu manter as pessoas afastadas mas ao mesmo tempo ligadas e a trabalhar. Nem todas as funções podem trabalhar através de casa mas reduzir o número de pessoas no trabalho foi importante para manter a segurança. Celio, gestor de RH, com experiência em consultoria realça a importância da atitude das pessoas:

“o que não podemos deixar de reconhecer é a mudança nas atitudes e comportamentos das pessoas, e uma especial é relacionado com a conscientização com os aspectos sociais, o número de voluntários aumenta a cada dia e mais pessoas vem contribuindo para com o bem-estar do próximo e nós líderes devemos estar atentos a esta mudança, não somente o líder individual, mas o institucional e as organizações que lideram seus setores” afirma.

Célio acrescenta que “líderes devem utilizar seu talento para unir pessoas em torno de uma causa e isso gera edificação no aprender fazendo, inserir seu time em um contexto fora da sua zona de conforto proporcionando uma sensível construção de saber coletivo amplia a visão de desafio e superação aprofundando o conhecimento do seu propósito”.

Na sua opinião estas atitudes ajudam cada vez mais a contribuir para uma sociedade, com gente disposta a colocar a mão na massa, aberta a receber e compartilhar em comunidade estimulando o processo real de evolução do outro.

2.  Quais foram as ações desenvolvidas pelos líderes para manter o nível de motivação e produtividade da sua equipa?

Uma das dificuldades encontradas foi manter a motivação e produtividade das equipas à distância. O facto de trabalharmos longe dos colegas pode levar a um aumento de sentimentos de distanciamento entre as pessoas e os líderes tem este fazer face a este desafio. Houve uma mudança na forma de atuar, mas quais foram essas ações?

Eduardo Batista:

“Foram diversas as ações tomadas para manter o nível de motivação e produtividade do nosso time, tais como assegurar um ambiente seguro de trabalho, manter um fluxo dinâmico e permanente de comunicação com as pessoas e, sobretudo, estar próximo das pessoas, mostrar o quanto elas são importantes e o valor que elas tem diante de um momento tão difícil para todos. Neste sentido o papel da liderança tem sido fundamental. Mostramos a elas que o seu trabalho – particularmente em nosso caso no setor de logística – permite que todos os dias as pessoas recebam os produtos necessários para sua vida em um momento de pandemia – alimentos, medicamentos, produtos de limpeza e higiene e tantos outros”.

Eduardo acrescenta “este tipo de valorização e reconhecimento gerou um alto nível de compromisso da equipe, que foi devidamente reconhecido também por nossos clientes – e pelos próprios colaboradores”.

Renato Braghetto:

Quanto às ações para manter os colaboradores motivados e produtivos o diretor de RH partilhou algumas medidas:

“Em primeiro lugar demonstrar que é uma fase muito difícil e desconhecida por todos e que juntos iremos superar tudo isto e principalmente dando todo o suporte para proteger nossos colaboradores e familiares, através de nossos protocolos, programas e benefícios”.

Também tentaram encurtar a distância: “contato diário com os colaboradores através de comunicados, briefing, vídeos, etc. Sempre reforçando o bem maior que são as pessoas e mostrando sempre a importância de todos, pois estão ali para um propósito maior e não simplesmente mais um trabalho onde “conectamos pessoas e melhoramos vidas” e as pessoas dependem de nós”. A ajuda foi alargada a suporte médico e psicológico para todos colaboradores que precisassem afirma Renato.

“Internamente temos um pilar de Responsabilidade Social bastante ativo e isto ajuda muito no engajamento das pessoas, como exemplo, para este período, lançamos um programa “Dobradinha do bem” que é a arrecadação de alimentos disponíveis diariamente em nossas operações, para serem retirados por quem precisar e o mesmo montante arrecadado (doações) a empresa em contrapartida fornece na mesma quantidade de alimentos ou dinheiro, daí o nome: dobradinha do bem”.  

Demitir foi evitado ao máximo como forma de tranquilizar as pessoas e ao mesmo tempo não provocar stress nem perde de motivação: “as demissões foram evitadas utilizando, para isso: banco de horas, antecipação de férias, home office para o grupo de risco, aplicação da MP do governo Brasileiro, redução de jornada de trabalho e suspensão de contrato de trabalho, foi dada prioridade de movimentações internas antes de contratações externas” afirma Renato sobre as medidas implementadas.

Foi importante agilizar os processos para facilitar a sua implementação: “criação de comitês de trabalho de tal forma a trabalharmos de forma colaborativa entre as áreas, agilizando implementações de projetos novos e até mesmo projetos antigos que paravam na burocracia”.

“O board intensificou a sua agenda de reuniões, de tal forma a passar tranquilidade para o time e direcionar os trabalhos, sempre mostrando agradecimento ao time de Heróis tanto de nossos executivos e principalmente depoimentos de nossos clientes que nos agradeceram várias vezes por suportar tudo isto sem parar o processo produtivo” afirma Renato.

Celio Pinto :

Quanto à motivação das equipas Célio foca em dois aspecto:

“aproximação da equipe, esta é uma ação que colocamos em prática, neste momento de distanciamento encontramos formas de estar mais próximos, envolvendo a equipe em ações sociais e conversas diárias dos nossos times, valorizando cada pequena ação e reconhecimento”.

Conclusão:

Esta pandemia veio mesmo mudar a nossa forma de trabalhar. Independentemente do setor houve mudanças para todos. As prioridades mudaram, os líderes e as ações das empresas transmitem uma maior preocupação com a segurança e bem estar das pessoas, problemas que antes não estavam em causa. Hoje será que podemos dizer que estamos mais humanos?

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