Que competências procuram as empresas na era pandémica?

Que competências procuram as empresas na era pandémica?

De CEOs a COO, CMOs, CIOs a CFOs, os Gestores de empresas têm em comum alguns traços de liderança: a capacidade de inspirar e alinhar outras pessoas em torno de objetivos partilhados, uma mentalidade ágil e uma compreensão robusta do negócio.

Embora essas qualidades essenciais tenham resistido ao teste do tempo, também é verdade que épocas diferentes exigem competências adicionais. Então, como é a liderança eficaz na época do COVID-19? Que novas competências os Gestores devem adotar para navegar num mundo” que gira fora de seu eixo”?

Quais são as competências que as empresas procuram nos seus Gestores?

1. Forte, inclusivo e inspirador

Capaz de motivar, inspirar e alinhar toda a equipa em torno de um objetivo comum. Crucial para isso é a inteligência emocional (EQ), que tem dois lados: primeiro, a capacidade de reconhecer, entender e gerir efetivamente o próprio estado emocional e, segundo, a capacidade de se envolver empaticamente com os outros e decifrar os estados emocionais.

Embora muitas vezes considerada uma “soft skill” e, como tal, menos crítica do que a proficiência técnica e os resultados financeiros – EQ é crítica para líderes que tem como objetivo unir, motivar e alinhar as suas equipas. E no mundo VUCA (acrónimo de  volatility, uncertainty, complexity, and ambiguity), de hoje acrescido de um cenário de pandemia, os resultados estão a jusante de uma cadeia de “investimento emocional” que não podemos negligenciar.

2. Uma visão estratégica

Para o médio e longo prazo, equilibrando ponderação e pragmatismo.

3. Flexível e capaz de impulsionar e gerir mudanças organizacionais

Com o COVID-19 e suas consequências, ficar na zona de conforto não é uma opção.

4. Valores pessoais sólidos e capazes de liderar pelo exemplo

Solidariedade, proximidade, humildade, otimismo e coragem são valores que têm vindo a revelar-se fatores diferenciadores nas organizações bem-sucedidas e com forte impacto económico e social.

A ambiguidade desencadeada pela pandemia tornou muito óbvio que ninguém tem todas as respostas, destacando a necessidade de humildade e capacidade para ouvir “vozes dissidentes”.

É importante definir a humildade como um conceito, já que alguns a confundem com passividade ou submissão, de acordo com Edward D. Hess, professor da Darden School of Business – University of Virginia. “Em vez disso, é a capacidade de gerir o ego e conectar-se com os outros de forma criativa. […] Esta é a porta de entrada para uma mente aberta, em parte porque permite processar novas informações sem reagir com medo ou defensivamente ”, diz Hess.

O Prof. Sebastian Reiche do IESE sobre o tema afirma que: “A pesquisa apoia a noção positiva de humildade, vinculando-a à curiosidade e à abertura para aprender e ser ensinado por outros.”

5. Resiliente e capaz de gerir adversidades

Concentrando-se nos recursos disponíveis e no que é possível.

6. Inovador

Mudanças profundas que já estavam a acontecer antes da pandemia agora são aceleradas pela crise.

7. Capacidade de tomar decisões

O Gestores tomam decisões diariamente, é parte do ADN da sua função e têm de estar preparados para um processo de tomada de decisão robusto com dados apropriados para a tomar usando um “mix” de dados objetivos e de visão intuitiva do impacto/oportunidade da decisão.

Embora possamos pensar que as nossas decisões são puramente racionais, isso pode nem sempre ser verdade. Somos humanos e não computadores portanto, tomamos decisões com base numa ampla variedade de fatores, muitos dos quais não estamos totalmente conscientes.

8. Eficiente e orientado para resultados

O ambiente de negócios está cada vez mais competitivo.

9. Colaborativo

Capaz de trabalhar em equipa e humanizar a empresa.

O clássico sentido de liderança frequentemente evoca a imagem do herói solitário levantando as tropas e liderando seus subordinados em direção à batalha, mas a pandemia virou essa ideia “de pernas para o ar”,

Liderança de sucesso é o resultado de um esforço coletivo e colaborativo, há um pouco de ‘Batman ’neste conceito, de facto ele é o super-herói mais possível da história. O mais humano de todos os heróis. Não tem superpoderes originários de um mundo distante, muito menos foi mordido por uma aranha radioativa, não é filho de um Deus e não passou por nenhum processo científico. O desenvolvimento das competências, o desenvolvimento pessoal, para ser um melhor líder não exige poderes de super-herói, constrói-se e trabalha-se num esforço e investimento contínuos.

10. Bom comunicador e com elevada escuta activa

Não basta que os valores, a missão e os objetivos da organização sejam claros e estejam escritos em todas as paredes, mas têm de ser comunicados e vividos.

A pandemia também nos ensinou que as pessoas têm reações diferentes ao risco e à incerteza, e é por isso que os líderes precisam se comunicar com clareza e empatia e criar fóruns que permitam que todos se conectem e criem um vínculo forte com a organização, os canais unilaterais são estáticos e não permitem vivenciar, partilhar, e os valores e objetivos têm de ser vividos, dinâmicos e agregadores do esforço coletivo.

“Não é possível não comunicar”, o silêncio não funciona, há que continuar a insistir na mensagem, de forma clara e transparente para que tenha o efeito “contagiante” que mobiliza e impulsiona a equipa rumo aos resultados.

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