Neto Mello

Diretor de Recursos Humanos, 24 anos atuando em empresas nacionais, multinacionais e familiares. Graduado em Engenharia Mecânica pela UNESP, graduado em Psicanálise Clínica, dois MBA’s em Logística Empresarial e Gestão De Negócios, pós-graduado em Gestão de RH e especialização em Relações Sindicais e Trabalhistas e Leadership pela IMD University em Lausanne, Suíça. É também palestrante e conselheiro de empresas.

“A principal missão do homem, na vida, é dar luz a si mesmo e tornar-se aquilo que ele é potencialmente.”
– Erich Fromm

Não é possível falar em gestão de pessoas e de liderança sem abordar um dos subsistemas mais emblemáticos da área de Recursos Humanos – R&S voltada para posições de liderança.

Recrutamento & Seleção

Quando um recrutador está entrevistando candidatos que estão concorrendo a posições de liderança, além das costumeiras perguntas tradicionais que são realizadas em quaisquer processos seletivos, é importante fazer uma série de perguntas-chave que, a depender das respostas, poderão definir a contratação ou não da pessoa em questão.

Esse tipo de abordagem traz resultados muito mais assertivos, pois vai além da visão superficial sobre o perfil do candidato, perscrutando aspetos quase impossíveis de serem dissimulados ou ocultados.

Esse processo é de suma importância para que o recrutador tenha uma visão clara do candidato. Para que você tenha uma noção mais clara do que estou dizendo, veja abaixo alguns exemplos desse tipo de pergunta:

  1. Defina liderança.
  2. O que você faz para o seu autoconhecimento?
  3. O que é a vida para você?

A reação do candidato a cada uma das perguntas acima (ou de outras similares) dará ao recrutador uma linha de raciocínio para tomar a decisão final com mais assertividade.

Desenvolvimento da liderança

Trabalhar técnicas de chefia e liderança é o que todas as empresas costumam fazer. Isso é o que eu chamo comumente de metodologia enlatada, não com a intenção de tecer críticas negativas ou debochar da prática, pois o profissional que não possui a técnica necessária não conseguirá lograr o êxito que se espera dele.

Entretanto, é necessário dar um passo atrás e desenvolver o líder enquanto ser humano, tornando-o antes de tudo uma pessoa, por mais que se pense que isso não é função da empresa. A técnica fria é moralmente questionável e organizacionalmente incompleta e imperfeita, trazendo inestimáveis prejuízos de ordem financeira, humana, comportamental e de produtividade. 

Os estudos da individuação do psicanalista austríaco Carl Jung são uma boa ferramenta auxiliar nesse sentido, pois ajudam a trazer de volta à tona os valores morais aprendidos na infância e que muitas vezes foram sendo deixados para trás durante o percurso de vida do sujeito: o respeito, a empatia, o interesse genuíno pelas pessoas, o amor àqueles de que não se gosta, a importância de olhar para o outro com os olhos da alma e ouvi-lo com o ouvido da alma.

Em suma, aqueles valores e princípios que expressam as mais nobres e altaneiras características do ser humano.

Levando isso tudo em consideração, é não apenas necessário, mas urgente, que se priorize o que antes era deixado em segundo plano. Por trás da grande pessoa que esse sujeito vai se tornar, por consequência vai crescer o grande líder, evidentemente com mais algumas técnicas desenvolvidas complementarmente.

Como já é conhecido, a maioria dos pedidos de demissão por parte do funcionário ocorre por algum tipo de atrito com a liderança, o que em pleno século XXI deveria ser considerado um dado intolerável. Isso mostra que outros pontos de oportunidade, como turnover, investimento em treinamento e os efeitos da curva de aprendizagem e do tempo de adaptação à nova função podem ser mitigados pela implementação de uma liderança mais adequada, como uma espécie de efeito cascata.

Evidentemente, em um universo que contém vários líderes, nem todos estarão no mesmo nível de maturidade e perceção ao mesmo tempo, mas para o atingimento de uma liderança sustentável e humanizada, que também chamo de liderança Ágape (novo modelo de gestão que divulgarei em meu próximo livro), é imprescindível que se busque a elevação do nível de consciência de todos eles.

O grande líder tem uma consciência virtuosa, uma consciência do bem, onde os valores morais saem do simples discurso e são colocados em prática. Portanto entendo ser este o caminho, desenvolver as lideranças de uma empresa no âmbito comportamental, tendo como base os bons valores morais.

Liderar não é apenas delegar funções e acompanhar o cumprimento das metas estabelecidas. Pelo contrário, liderar é, sobretudo, colocar em prática todas as virtudes morais em prol de outros seres humanos, principalmente aqueles em posição subalterna.

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