Take 3 – À mulher de Cesar não basta sê-lo…

À mulher de Cesar não basta sê-lo - Ana Santos

Saiu do carro e entrou na empresa de passo apressado, direitinha ao seu gabinete, saudando toda a gente com um “bom dia” mas daqueles retóricos, sem grande convicção que o fosse ser – A Benedita antevia o desafio!

Tinha um legado consigo sob a forma de um curriculum, entregue diretamente pela mão do seu CEO, para uma função nova – um assessor de Direção, que iria dar suporte ao António Luvinha, em todas as matérias das mais comezinhas às mais relevantes, portanto teria de ser um profissional muito eclético e experimentado, bom comunicador mas também pronto a arregaçar as mangas e fazer “coisinhas” daquelas castigadoras, com entediante falta de interesse.

Santiago Brazão era o homem que ia “encaixar” nesta função, e que a Benedita estava pronta para entrevistar (isto de validar o que já está consumado é um exercício bom para a santíssima paciência, mas pode trazer toda uma nova perspetiva sobre a inutilidade do sofrimento por antecipação).

– Bom dia sou Benedita Herédia, obrigada por ter vindo, faça o favor de entrar e sentar-se na mesa redonda, para iniciarmos a entrevista…aceita um café ou uma água?

As palavras introdutórias foram acompanhadas de uma sondagem discreta e rápida, a famosa 1ª impressão que é uma espécie de RX Express, mas que depois se valida com uma imagiologia mais sofisticada, caso haja “achados” que merecem ser “escalpelizados” por incerteza da natureza e contornos dos mesmos.

– Bom dia que prazer em conhece-la, aceito o café e a água, estou muito confiante por ter sido escolhido para esta função, sabe que a minha timidez é o meu melhor e o meu pior, mas dentro de mim há força! – Enquanto proferia estas palavras com pausas estudadas, a voz ia afinando nos agudos e os gestos teatrais eram dignos de uma 1ª figura de “La Traviata”.

A Benedita sentou-se e pousou as mãos sobre a pasta que continha o curriculum de meia página do Santiago e uma grelha para tomar notas da entrevista (esforço inútil e retórico mas há que seguir o figurino).

O Santiago Pavão…Brazão (desculpem lapso linguístico meu!) sentou-se em frente à sua entrevistadora e cruzou a perna, levantando ligeiramente a calça vincada, e deixou à mostra as meias pretas ornadas por um monograma igual ao anel que usava no dedo mindinho o que adivinhava uma família tradicional, provavelmente com raízes no D. Afonso Henriques no mínimo!

– Pois bem Santiago o seu curriculum é muito sintético, pelo que proponho que se presente e descreva o seu percurso profissional, manteremos uma conversa fluida sem grandes formalismos, e se me permite vou tirando notas. – Benedita ia acompanhando Santiago com o olhar caloroso para que ficasse mais há vontade e confiante, parecia-lhe um pouco “saltitante” e exibia algum nervosismo pela forma como ajeitava o cabelo e mexia na colher do café.

Lançamento do Livro – FAÇO O PINO SE A EMPRESA DANÇAR O TANGO

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Take 2 – A Fábula da Centopeia

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