Lara Pico

licenciatura em Gestão de Recursos Humanos e Parceira de Conteúdo na comunicaRH

É frequentemente discutido o impacto que os mentores têm no percurso de diversos líderes mundiais. Vejamos, por exemplo, Steve Jobs, cujo mentor foi Bill Campbell, ou Mark Zuckerberg, que recorreu múltiplas vezes aos conselhos do próprio Steve Jobs.

Ambos procuraram inovar na área tecnológica, e é certo que tentar colocar em prática projetos pioneiros é difícil, mas fazê-lo sozinho é impossível. Por este mesmo motivo, e porque o sucesso resulta de um constante trabalho em equipa, todos os grandes líderes se ligam a pessoas chave capazes de os guiar no seu caminho.

Um estudo publicado no Journal of Leadership Education, procurou fazer a distinção entre mentores formais e informais, bem como compreender a eficácia de ambos para as organizações.

Os resultados demonstraram que os mentores informais, pela naturalidade e autenticidade da relação estabelecida, contribuíram para maiores níveis de satisfação e comprometimento com o trabalho e, consequentemente, para um mais célere desenvolvimento profissional dos seus mentorandos.

Em oposição, os mentores formais mostraram-se menos eficazes no progresso dos seus mentorandos, devido à burocracia e tentativa de controlo muitas vezes integradas nos programas de mentoring internos às organizações.

A liderança empoderadora adota, aqui, um papel preponderante, uma vez que os mentores possuem a capacidade de liderar pelo exemplo, e conseguem motivar os seus seguidores a alcançarem o seu máximo potencial, através dos seus comportamentos e da estimulação do autocontrolo e autorresponsabilidade.

Para tal, é importante que os mentores demonstrem confiança nos seus mentorandos, que os impulsionem a tomar iniciativa e a resolver problemas, e que comuniquem regularmente de forma transparente.

A par destas características, é indispensável que a relação seja pautada por valores de lealdade, admiração e respeito mútuos.

Paralelamente, a escuta ativa e a comunicação empática são características essenciais para o desenvolvimento de líderes eficazes.

Barack Obama, por exemplo, atribui à influência dos seus mentores – como Frank Marshall Davis – esta capacidade de se conseguir colocar no lugar do outro e de ouvir e compreender as mensagens que lhe estão a ser transmitidas.

Incumbe, também, aos mentores promoverem momentos de partilha de receios, sentimentos, feedback e de discussão de ideias, pois refletindo na forma como a situação pandémica é vivida, hoje, nas organizações, intensifica-se a necessidade de sobressair o lado mais humano que em si existe. E este lado só conseguirá ser salientado por meio da vulnerabilidade, empatia e ética que os líderes transmitirem aos seus seguidores.

Finalmente, o papel do mentor revela-se ainda mais marcante quando nos referimos a recém-chegados ao mercado de trabalho.

O panorama observado atualmente nas organizações é evidentemente complexo, exigindo aos jovens a capacidade de adaptação à mudança, flexibilidade, inovação e aprendizagem constantes.

É, por isso, extremamente importante levar em consideração que, sendo os jovens os líderes do futuro, as suas características enquanto líderes serão, em larga medida, moldadas pelos seus primeiros modelos de liderança.

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