Ana Magalhaes

Diretora de Recursos Humanos

Após 20 anos de RH confirmei uma coisa básica com a Pandemia. Mais do que ouvir as pessoas, mais do que empatizar, é preciso ter a veleidade de tentar sentir o que sentem para percebermos o que nos dizem e porque nos dizem daquela maneira especifica.

Falo em veleidade porque em bom rigor dificilmente conseguimos sentir o que o outro sente, porque não somos o outro nem temos as suas vivências, as suas experiências e os seus objetivos e motivações.

Mas se percebermos que todos nós funcionamos sempre em modo ação-reação conseguimos isolar o sentimento que aquela situação nos cria, para podermos tentar entrar dentro do coração do outro.

Com isto não digo que tudo o que cada um diz ou faz está certo ou errado, mas sei que seja o que for que cada um diz ou faz tem uma motivação, que se quero transformar tenho de a tentar sentir como o outro sente, ou seja ouvir com o coração.

Parece algo intenso e trabalhoso, ou para outras pessoas pode parecer lamechas, mas é aqui que eu acho que os RH mais do que nunca fazem a diferença.

Em tempos onde todos os paradigmas mudam ou estão anunciados mudar, o stress e ansiedade provocados causam nas relações desgaste e até irascibilidade.

Por muito que digam que a resistência à mudança é má, eu digo que a resistência é apenas um processo humano que vai alterando à medida que cada pessoa perceba onde pode encaixar nela (na mudança).

Desta forma, para quem tem a brava missão de gerir pessoas tem mais esta complexidade a acrescer a todas as transformações que passa.

Para os ainda MAIS BRAVOS na Gestão de RH (perdoem-me puxar a brasa à minha sardinha), passa por nós a responsabilidade de ouvir com o coração e transformar estas mensagens em ações, projetos, atividades, valências e qualquer outra que acharmos adequado que levem o colaborador à estabilidade necessária onde assenta a sua base de conforto para que possa ter o seu tempo a aceitar, transformar e evoluir, trazendo mais motivação, mais equipa e mais valor.

Afinal de contas se olharmos para a teoria da evolução das espécies percebemos que até para evoluir precisamos de tempo para nos transformarmos. Ouvir com o Coração para ajudar na transformação vai ser a nossa responsabilidade! A meu ver, claro…  

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