TAKE 5 – UNS DIAS DA CAÇA OUTROS DO CAÇADOR!

TAKE 5 - UNS DIAS DA CAÇA OUTROS DO CAÇADOR!

A Dra. Benedita estava em reunião há já algum tempo com o Dr. João Contas do Rosário, e tensão era visível no semblante da Diretora de Recursos Humanos, enfrentando os avanços do financeiros de um “rolling forecast” – leia-se uma bola empedernida a descer uma colina de forma ruidosa e errática – que tinha um toque de criatividade insuspeita na forma, não fora parecer um cobertor que foi lavado a 90º graus e encolheu para metade do seu tamanho, nos custos de pessoal…entende-se à luz de que “as pessoas são o nosso maior valor” – (se não forem muito dispendiosas melhor!)

– Dra. Benedita temos de cortar no bónus anual… de facto nunca ninguém consegue atingir resultados de 100% portanto… coloque tudo a 60%, parece-me que assim estamos a salvo…e já agora corte o jantar de Natal, este ano vamos oferecer uma possibilidade fabulosa dos colaboradores irem fazer voluntariado a arrumar o stock do armazém, considere um team building daqueles que obrigam à coesão! – O Contas do Rosário parecia um cientista, depois de ter caído num pote de poção daquelas que só resultam em filmes de suspense já gastos!

– Eu nem sei porque ainda reúno consigo para debatermos um tema que está perfeitamente claro e fechado na sua estratégia, é como tentar apanhar um avião num cais de embarque de cacilheiros, missão mais que impossível! – As palavras saiam como torpedos da boca da Benedita, mas não conseguiam abater o porta-aviões financeiro, em plena sessão de SPA de números.

O SIFT – síndroma de insuficiência financeira terminal continuava a pairar como uma nuvem negra, mas atenção que havia um oásis nesta tempestade a frota de viaturas ia ser renovada, porque os Diretores tinham uma imagem da empresa a defender, o mercado tinha de “ter uma leitura positiva do status da empresa” – palavras sábias do nosso CEO, que sabia sempre o que fazer em caso de calamidade, especialmente porque tinha há muito aprendido que um líder inspirador é sempre otimista, mantem uma postura serena e resiliente (ainda vou querer pagar para fazer este curso para executivos, sempre se vive mais descontraído…)

– Dra. Benedita posso dar-lhe uma palavrinha em privado? – Era o Santiago Brazão, novíssimo assessor da administração, contratado com distinção, que apareceu qual nuvem de leveza, na porta de reuniões, onde a “a guerra fria” dos custos estava a decorrer sem mediação diplomática…

– Boa tarde Santiago, tem mesmo de ser agora? É urgente? – Perguntou a Bendita, sob o olhar atento do Contas do Rosário, que aproveitou para ver se tinha alguma mensagem do talho onde tinha encomendado uns bifes especiais do lombo, apreciava a carne suculenta e macia, especialmente aos domingos depois de um belo jogo de futebol com os ex-colegas do seminário, que frequentou antes de mudar de ideias, sobre a sua vida religiosa, e perder-se de amores pela prima afastada, que reencontrou numa visita á sua aldeia, que ficava apenas a uns km da aldeia da Joaquina Limpa Direitinho. (tinham o mesmo sotaque embora ele tentasse disfarçar e ela o exagerasse).

– Posso esperar…mas sabe Bendita, estou mandatado para uma tarefa da maior prioridade e relevância – fazer um inventário de todo o mobiliário de escritório, e precisava mesmo da sua ajuda para formar uma equipa de projeto, e como é de recursos humanos, é consigo que devo falar…- O Santiago parecia novamente um Pavão nos seus gestos largos e teatrais e a Benedita nem queria acreditar no que ouvia, um inventário estratégico de mobiliário de escritório? Faria parte do team building do stock do armazém? Era uma ação concertada de disparates em catadupa?

– As 14.00 falamos sobre o tema pode ser Santiago? – Levantou-se e saiu devagar, sentia a boca seca ia precisar de uma garrafa de agua e de uma mudança de perspetiva…afinal quem gere pessoas constrói pontes e acima de tudo é sempre de um trato afável, mesmo que a situação seja deveras…desconcertante.

Lançamento do Livro – FAÇO O PINO SE A EMPRESA DANÇAR O TANGO

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